quinta-feira, junho 14

férias

Regressei de umas mini-férias no meio do nada, longe de tudo o que poderia lembrar-me a mínima preocupação. É nestas alturas que damos valor às coisas mais simples, vestimos um bikini e uns calções, calçamos uns chinelos e aí vamos nós com a toalhinha numa mão e um livro na outra apanhar sol na praia mais próxima. Não fui para a praia mais próxima, mas o ritual foi o mesmo. E soube a pouco, parecem sempre poucos demais os dias que passamos assim, mesmo que a tarde tenha sempre mais horas, porque parece que nunca temos nada para fazer. Não temos, de facto, mas não faz mal. Ali, a olhar para as ondas que insistem em regressar à areia parece que não há mais nada, mais mundo, mais pessoas do que aquelas que estão ali connsoco a brincar com os filhos, a encherem-se de protector solar, arrepiadas a tentar entrar na água.
E tu ao meu lado insistes em mais uma caminhada, rebolas na toalha, fechas os olhos um bocadinho, olhas para mim: "onde vamos jantar hoje"? E eu respondo que não sei, mas quero ir a outro restaurante diferente. "Estás tão bonita". Não estou nada... anda, vamos dar um mergulho e fingir que podemos fcar aqui para sempre....

terça-feira, maio 29

Dave Mathews e etc

O concerto de sexta feira foi excelente! Tenho que confessar que fiquei um bocadinho desiludida no principio porque facilmente percebemos que a meia dúzia de gajos em cima do palco está ali para aproveitar e a borrifar-se para um Pavilhão Atlântico certamente esgotado. Contudo, quando pensávamos que aquilo deveria estar mesmo a terminar começa o concerto a sério com os grandes êxitos que todos conhecem de cor e salteado. O melhor foi sem dúvida a abertura com Everyday, a interpretação de Too Much e o solo do Dave em Gravedigger. Três horas de concerto que me fizeram sentir velhota pela tremenda dor de pernas com que saí de lá. Como é que eu aguentava, há 3 anos atrás, uma semana de noitadas na Queima? Meus amigos...os anos afinal pesam...

E agora uma coisa que não tem nada a ver. Já alguém viu o novo anúncio do Seat Leon? Eu nunca me identifiquei tanto com um anúncio como com este.No fim deixam-nos com uma frase deliciosa que me serve que nem uma luva:

As melhores coisas da vida não são as que nos pertencem, mas as que são donas de nós...

quarta-feira, maio 2

It all comes down to nothing

Sabem quando pensam que dão tudo a uma pessoa, que dão o vosso melhor para que as coisas corram bem, para que a pessoa sinta que gostamos dela, que fazemos as coisas por ela e, ainda assim, essa pessoa, que vocês pensavam que vos conhecia melhor do que ninguém, vos atira à cara que os dias que passam juntos se estão a tornar rotina e são uma merda? Assim...
Desiludida.
Penso nos quatro anos que estão para trás, no que se pensa que está pela frente e que às vezes pensamos se irá acontecer, se será mesmo aquilo que queremos, se temos a certeza, se valerá a pena.
Indiferente.
Insistes na mesma coisa uma e outra e mais uma vez como se alguma coisa mudasse por insistires tanto. Eu já não sei se me importo, se quero saber. A sério, às vezes não sei...já não sei. Uma e outra vez insisites que eu sou isto, que eu nunca faço o que queres, como se de há quatro anos para cá fosse eu sozinha a ditar as regras deste jogo.
Ferida.
Tenho gravadas em mim desilusões que nunca superei. Histórias que me feriram fundo e que eu pensava poder passar por cima, mas não deu. Não dá. Há coisas que não se esquecem. Esta é mais uma delas. Mais uma que me atiras à cara. Consegues relativizar tudo, diminuir tudo a alguma coisa que achas que eu tenho de mal, um defeito.
Chegas aqui com essas histórias que não me dizem nada, toda a gente faz e nós também devíamos fazer, toda a gente vai e nós também devíamos ir. Há coisas que toda a gente faz e tu não fazes, coisas com que toda a gente se importa e tu nem aí, coisas que me preocupam e que tu dizes que estás a tratar disso para daqui a uns anos... E essas coisas? E as coisas que eu acho importantes? Não te interessa falar disso, dessas coisas. Adias tudo para daqui a uns anos. Já não sei se temos esse tempo todo...

quinta-feira, abril 26

Damaged



É assim que me apetece estar. Sentada numa cadeira a olhar para o vazio. À procura de alguma coisa que me chame a atenção, que me desperte para outra realidade. Hoje cheguei ao escritório e percebi que dentro de uma semana seria uma das 5 pessoas mais antigas daquela casa. É tudo tão estranho... Continuo ainda com mais força para continuar e fazer o meu trabalho melhor do que nunca, agora que ele é mais preciso do que nunca.
Não posso deixar, contudo, de comparar situações, embora não tenham muito em comum. Quando o jornal A Capital estava prestes a fechar o único a abandonar o barco foi o Director. A redacção, os jornalistas, nós permanecemos ali até ao último dia. Bem depois do último dia, aliás. Depois da última edição ainda marcávamos cafés, ainda dávamos um pulo à minuscula sala de café e sentíamos aquele vazio e aquele silêncio entranharem-se na pele, e doía. Custou-nos muito a aceitar que aquilo era o fim, a abandonar o barco quando ele já não existia e estávamos todos a pôr os coletes salva-vidas o mais depressa possível para não ir ao fundo.
Aqui a crise não é a falta de dinheiro, a falta de clientes, mas a saída de grande parte dos colaboradores com mais experiência. Assim uns a seguir aos outros como se fosse agora ou nunca, "se tu vais eu também não fico" e assim sucessivamente. É claro que não é perfeito, nada é perfeito, mas será que numa altura destas não se deve dar uma segunda oportunidade? Eu estava no desemprego quando me deram a mão e me ensinaram tudo o que eu sei hoje. São coincidências apenas, certamente, mas que não se repetem muitas vezes.
Seguir em frente é o que devemos fazer. De uma maneira ou de outra, é bom saber que temos um sítio onde precisam de nós amanhã...

quarta-feira, abril 25

Inesita

Dois dias depois nova saída. Desta vez a minha querida Inesita. Que não merercia a maneira como as coisas aconteceram. Ela que é certamente a pessoa mais correcta e honesta que eu alguma vez conheci e que era incapaz de fazer o que quer que fosse para prejudicar alguém.
Ontem foi um daqueles dias que passaram por mim sem que eu conseguisse encontrar um lugar para o viver. Inquieta, revoltada, triste, assisti à partida de uma amiga que entrou comigo neste barco há mais de um ano atrás sem saber o que esperar desta nova aventura. Vínhamos as duas com o jornalismo entalado na garganta. Desiludidas por estarmos a mudar de rumo sem saber se era mesmo aquilo que queríamos. A medo, mas com muita coragem, seguímos em frente. Ficámos conhecidas como siamesas. Mas nunca ví isso como uma coisa má. Eu sabia que podia contar contigo e tu sabias que podias contar comigo e era só isso. Mas era isso, é ainda isso, que muitos não entendem, uma amizade sem interesses. Os nossos almoços a correr, as nossas cafezadas na Alameda, a festa que fazíamos quando conseguíamos uma Tv num evento qualquer. Tu rias sempre quando eu desligava o telefone e abanava os braços, queria apenas dizer que tinha mais uma confirmação para o evento. São apenas algumas das coisas que vou lembrar com carinho.
Sei que vais ficar bem. Que este é um ano de mudanças na tua vida, esta é apenas mais uma a que te vais adaptar facilmente, tenho a certeza, just have a little patience :).
E eu vou estar deste lado como sempre para continuarmos a partilhar os nossos pequenos mundos. E isso nunca vai mudar...

Marcamos então aquela almoçarada?
Um beijinho grande e até já...

sábado, abril 21

A Alegria do Tejo

Ela era uma daquelas pessoas que se conhecem pelas circunstâncias da profissão. Sim, o nome Alegria não me era estranho. Já tinha ouvido a voz e o riso dela do outro lado do telefone a perguntar-me se eu ia estar presente num evento qualquer...
Entrou no open space e encontrou os mesmos amigos de sempre, que tinha deixado há uns anos e também outras caras que cedo conquistou.
Não houve um unico dia em que a agência não tivesse parado para rir contigo. A tua simplicidade e sinceridade conquistou-me no dia em que partilhámos um pouco mais das nossas vidas, do que sentimos cá dentro. Do que nem está definido para nós, mas que precisamos de partilhar com alguém. E assim nasce uma amizade.
Hoje é o dia em que perdemos a tua companhia diariamente. Tentámos prolongá-lo ao máximo mas não deu para esticar mais as horas. Não, não é uma despedida e não, não chores que já chega... É um até já, uma até ao passeio prometido na tua canoa.
Para nós a Alegria serás sempre tu...

Sê feliz!

segunda-feira, abril 2

Hoje 2

O que é que fazemos quando julgamos viver histórias que não são nossas? Quando lutamos durante anos para depois nos apercebemos que não é nada disto que queremos? Pensámos que seria diferente e afinal é assim e é tudo o que tens. O que fazes? Segues em frente? Recuas. Continuas a fingir que está tudo bem, que a vida é perfeita até...

quarta-feira, março 14

Hoje

Hoje estou assim de bem com a vida.
O dia correu-me bem. A única coisa que tenho feito nos ultimos dias é ir a reuniões e marcar outras reuniões. Os projectos começam a aparecer uns a seguir aos outros, como que a conspirarem para me cairem em cima dos ombros todos na mesma altura. Mas venham eles que cá estou eu.

Neste final de dia nada melhor do que um pijama quentinho, uma fatia de bolo de chocolate, uma chávena de café a fumegar e uma bela banda sonora: o novo dos Arcade Fire "Neon Bible", simplesmente fantástico.
E o House começa já daqui a pouco mais de uma hora...

quarta-feira, março 7

Os americanos não são estúpidos...ou são?

É mais uma pérola que se encontra no Youtube. Perguntem a uma americano onde é foi construído o muro de Berlim? E ele demora dez minutos a dar a resposta "No Irão"!

quinta-feira, março 1

Assessores

A Grande Entrevista da Judite de Sousa está cada vez mais interessante.
O Presidente da Camara de Lisboa, Carmona Rodrigues acabou de confessar que só ele tem 20 assessores e que permitiu aos vereadores da oposição terem também eles assessores pois diz que para fazer oposição é preciso ter condições para fazer um trabalho construtivo.

Todos sabemos que há pessoas que não fazem nadinha na vida, mas para que raio quer o homem 20 assessores? Só se for para esconder os escândalos que ainda estão para vir...

segunda-feira, fevereiro 26

O amor: mito ou realidade?

E primeiro lugar vamos esquecer aquelas babuseiras todas de poeta de que o amor é fogo que arde sem se ver e ferida que dói e não se sente. Falando a serio o que é o amor?
Quando dizermos "Amo-te" o que é que isso quer dizer exactamente? Que achamos que aquela é a pessoa que queremos ao nosso lado no bem e no mal, na saúde e na tristeza? Que acreditamos que com aquela pessoa a vida será melhor, conseguiremos ultrapassar todos os obstáculos e mantermo-nos juntos para o sempre da nossa existência?
Digam-me, alguém acredita mesmo nisso? Alguém acredita profundamente em todos os votos e juras de amor que faz?
Eu tenho que ser muito sincera, eu tenho dúvidas. Acho que uma decisão como o casamento se deve basear em evidências e não em certezas. Conhecemos uma pessoa, passamos bons e maus momentos com ela, conhecemos a família e toda a mobília que faz parte da sua vida e, se tudo correr bem durante algum tempo, se tudo correr bem até sentirmos que estamos a ficar velhos e que nos aproximamos vertiginosamente dos trinta a passos largos e corremos serios riscos de nunca mais encontrar ninguém, está na hora e tomamos uma decisão. Das duas uma:
- hipótese A: continuamos com a nossa vidinha de solteirões, independência é a palavra de ordem, queremos uma relação amorosa mas nada de grandes compromissos e arriscamos num "vamos namorando até...";
- hipótese B: começamos a preparar o casamento sem nos darmos conta. Começamos a pensar comprar casa em cnjunto. Compramos a casa. Começamos a ver quintas para o casamento, vestidos de noiva, o fotógrafo, os convites. Sem nos apercebermos já estamos a entrar por uma qualquer igreja, todas as pessoas a sorrirem e nós a não querermos pensar no resto. Aquele tem que ser o dia mais feliz das nossas vidas. Antes de anoitecer já estamos casados, de aliança no dedo, já comemos o bolo, tiramos 3000 fotografias, ouvimos parabéns durante o dia todo, doem-nos os maxilares de tanto sorrir para o fotógrafo.

Como e quando é que se tem a certeza de que queremos casar com aquela pessoa? Alguém tem a certeza quando diz o sim? Eu tenho cá para mim que prefiro basear-me em evidências.

E no meio de tudo isto o que é o amor? A que é que se resume o amor? Será o amor mesmo para toda a vida ou isso é uma daquelas falsas verdades na qual precisamos de acreditar para que conceitos como o casamento, família, façam sentido?

segunda-feira, fevereiro 19

Mais do mesmo

Eu sabia que isto ia voltar tudo ao mesmo... Volta sempre.
E eu não me sinto bem com isso. E mais cedo ou mais tarde isto não vai correr bem, eu sei que não...

E um grande momento por que todos esperavam... os Papas na Língua! Até que a música não é má...

quarta-feira, fevereiro 7

Lluvia

Tinha tantas saudades da chuva.....

segunda-feira, janeiro 29

problemas em grupo

Quando pensamos que só nós estamos com problemas e começamos a falar um bocadinho mais com outros apercebemo-nos de que não somos os únicos. Afinal, há problemas para todos os gostos no que diz respeito a relações amorosas. Um queixam-se que não conseguem encontrar ninguém que valha a pena. Anos e anos de relações breves que não levam a lado nenhum. Outros juntam os trapinhos para ver se resulta. Ao menos sempre se poupa uma renda.
Outros estão casados e continuam a pensar que não estão. Levam a vida como se fossem só um em vez de dois. Também há os que estão a pensar em casar, e que ainda não têm problemas.
E depois há os outros que não sabem o que querem. Que namoram há anos. Que gostam um do outro e que chegam a um ponto em que isso não é suficiente. É nesse grupo que eu me incluo. Sabem quando sentem que é aquilo que vocês querem mas no fundo no fundo têm medo por não saberem onde é que aquilo vos pode levar? Será que se dá o passo seguinte? Será que se recua para ganhar tempo?
Eu acho que há sempre uma altura destas na vida de toda a gente. Mais cedo ou mais tarde as perguntas começam a cair do céu. As dúvidas começam a aparecer a cada movimento partilhado e, de um momento para o outro, não sabemos onde estamos, para onde queremos ir, se tudo vale a pena. Depois dessa fase, das duas uma, ou se segue em frente ou se muda de grupo....

terça-feira, janeiro 23

Um dia qualquer de Janeiro

Mais uma noite pela frente. Tenho pelo menos mais três horas do dia 23 de Janeiro de 2007 para aproveitar e não sei que raio fazer com elas. Nos últimos dias a minha vida tem sido uma porcaria. Sinto-me assim desorientada, completamente. Vim de férias a pensar que ia continuar com o trabalho árduo, quase sem tempo para respirar. Enganei-me. O ano está a começar ainda a meio gás. Durante todo o dia de hoje dei resposta a um outro e-mail, fiz um ou outro telefonema, fiz um press release. And it was it... Saí a horas. Vim para casa, fiz o jantar, tomei banho, vesti o pijama e cá estou eu a passar tempo.
Estou sozinha mais uma vez. Prolonguei o jantar só para falar um bocadinho com a minha colega de casa que hoje recebeu a visita do namorado para jantar. Há lá coisa mais deprimentes do que jantar a três quando duas das pessoas na mesa são namorados que não se veêm há três meses? Eu devo merecer. Eu mereço. Sempre disse que não me importava de estar sozinha, que adorava o silêncio, que sempre tive alma de solitária. A caminho dos 26 a coisa muda um bocadinho de figura....
Cada vez que olho para a televisão fico ainda mais deprimida. Não só pela falta de qualidade dos programas dos 56 canais que tenho disponíveis como também pelo facto do meu aparelho me ter brindado com mais uma das suas. Primeiro cegou-me, privando-me da imagem. E agora, não dá som. Tenho o volume no máximo e só consigo perceber uma palavra em cada 100. Para agravar a situação está um frio do caraças e o meu termoventilador resolveu desligar-se de 10 em 10 minutos, o que deveria acontecer se a temperatura estivesse muito elevada, o que, garanto, não é o caso.
Vou ficar por aqui antes que me lembre de mais coisas deprimentes para dizer. Tipo, comprei hoje umas calças e só quando cheguei a casa reparei que têm um buraco de pelo menos 2 cm num dos bolsos. Como é que eu não reparei na altura! Descobri mais um risco no meu carro. Mais um a juntar aos outros 300. O carro tem 3 meses! Não fui ao ginásio porque o Sr. do Círculo de Leitores disse que viria cá hoje e afinal não pôs cá os pés. Estou capaz de lhe roubar a bolsinha onde ele enfia os meus euros e os euros dos outros, a quem rouba descaradamente as economias, da próxima vez que me tocar à campainha. O meu namorado faz anos amanhã e ainda não lhe comprei nada. Pior, nem sei se vai estar acordado amanhã para podermos, pelo menos, jantar fora. Há dois meses que dorme durante o dia e trabalha à noite. Parece um zombie. Consigo manter uma conversa com ele durante 1 hora antes que caia de sono.
Ora, já só faltam mais duas horas e meia até começar a contagem decrescente para mais um dia qualquer de Janeiro...oh joy!

segunda-feira, janeiro 22

Será que nada, nunca é perfeito?

Todos temos os nossos problemas. O ser humano é um bicho insatisfeito por natureza. E, por muito que diga que não, está sempre a olhar para o vizinho para ver se a vida que leva é melhor do que a dele.
Impossível ser diferente.
Desde pequenos que nos vemos confrontados com a partilha, de atenção dos pais, dos brinquedos com os irmãos e com os primos. Depois vem a competição. Na escola queremos sempre ser melhores, ter mais atenção dos professores, dar mais nas vistas, sermos mais giras do que a outra barbie que tem os rapazes da turma todos atrás dela. Entrar no grupo.
Mais tarde vemo-nos obrigados a competir, outra vez, por uma vaga numa universidade. Por uma porcaria de décimas ficam de fora uns, para outros tomarem os seus lugares num curso que lhes vai traçar uma profissão. Se bem que hoje em dia já nem isso temos como certo. A profissão surge-nos um pouco por acaso, é o que houver para fazer e onde se ganhar mais dinheiro.
À procura de emprego competimos com milhares na mesma situação. No emprego queremos sempre dar o nosso melhor para sermos reconhecidos, para ganharmos mais, para sermos promovidos, para ganharmos ainda mais. Para nos sentirmos realizados.
E nunca estamos bem, queremos sempre mais, queremos chegar onde o outro está. Queremos ouvir que somos bons no que fazemos. Queremos pensar que temos uma boa vida. Queremos que os outros pensem que temos uma boa vida. Pensar apenas. Porque no fundo, nunca nada vai ser perfeito. Há sempre mais um degrau para subir...
No amor é a mesma coisa. Fazemos de tudo para conquistar aquela pessoa que achamos que é a outra metade da laranja, perdemos meses, anos a tentar mudá-la, trazê-la para nós. Competimos por ela. Não dormimos por ela. Inventamos mil estratégias para nos cruzarmos com ela, para estarmos perto, para impôr, discretamente, a nossa presença. E pensamos que conseguimos, tudo está bem até que... aparece outra pessoa, vinda não sabemos de onde, não percebemos porquê, como aquilo aconteceu. E muda tudo. Transformamo-nos. Tudo em vão. Estamos de rastos, mas seguimos em frente, partimos para outra.
No fundo, não mudou nada, mas nós queremos acreditar que sim. Precisamos acreditar que é melhor assim, que não era aquilo, não, aquilo não era nada comparado com isto, agora...
Quando realmente conseguimos conquistar alguém, e nos deixamos conquistar, a vida troca-nos as voltas. Deixa-nos assim sem objectivo. Perdidos em dias comuns sem saber muito bem o que fazer com eles. Com um troféu que polimos de vez em quando e depois deixamos na prateleira para nos lembrar que está lá para quando precisamos dele. Não lhe damos o valor devido, porque ele está sempre ali. E só quando alguém o muda de sítio é que sentimos a sua falta. E saudades dos dias comuns que nunca mais o foram e do tempo em que fazer nada era uma rotina agradável...
Será que nada, nunca é perfeito?

sábado, janeiro 20

O álbum do dia



Passei horas na Fnac à descoberta de novas sonoridades.

Sou fã numero um daquele sistema que nos permite ouvir o CD inteirinho antes de o comprarmos. Confesso que apesar de ter um leitor de mp3 faz-me confusão estar muito tempo sem comprar um álbum qualquer. De manhã, enquanto arrumava o quarto dei-me conta que há muito não enriquecia a minha estante de CDs.

Acabei por trazer, Cold Roses do Ryan Adams.

Fica uma amostra da minha preferida.... How Do You Keep Love Alive?

segunda-feira, janeiro 15

Mudamos

Há alturas na nossa vida em que o passado nos salta para o presente e nos faz desejar voltar atrás, viver tudo outra vez, fazer perdurar aqueles momentos no tempo para que não nos fujam outra vez. Parece que ficamos estúpidos por um momento, que só nos lembramos dos aspectos positivos, esquecemos tudo o resto, o quanto nos faltava viver, o que tinhamos pela frente. E é então que nos damos conta de que o passado é passado. Damo-nos conta que mudamos de cidade, de amigos, de vida. Crescemos. Deixamos a vida diária da boémia para trás. Somos outras pessoas. Trabalhamos. Temos horários. Fingimos perceber de tudo, fingimos estar seguros de cada palavra que dizemos. Nunca temos dúvidas à frente dos outros. Somos seguros de nós, do presente e do futuro.
Percebemos que repetir a cidade, as vivências, as pessoas seria um erro. Porque há um tempo para tudo e o tempo para ser o que fui já passou...

quinta-feira, janeiro 11

Sobre a minha decisão

Amanhã o ano começa para mim.
Ontem respirei fundo e lá fui eu tentar a minha sorte. Arriscar. Vim para casa com a sensação de dever cumprido mas com a certeza de que eu não queria nada daquilo, não queria estar naquela situação, não queria estar assim à prova, à espera que outros decidissem o que fazer comigo: Fica? Vai?, para depois eu começar de novo.
Eu fiquei. Mas não como dantes. Com mais raizes, com mais certezas. Com ainda mais vontade de seguir frente. De enfrentar o que está ainda para vir. E de ser bem sucedida. Menos uma coisa para decidir...e esta era grande e pesada...

Depois de uma manhã ainda confusa decidi ir aos saldos na minha hora de almoço e fiquei desiludida. O mulherio continua doido com a descida de preços, é inevitável. O que também é inevitável nestas alturas é comprar coisas de que não gostamos assim tanto só porque são baratas. E eu só consigo gostar daquilo que eles chamam nova colecção mas que no fundo é roupa igual à que está em saldos só que é mais cara, mais bonita e está na única parte da loja em que a arrumação nos permite seleccionar alguma coisa para trazer connosco para casa. E lá se vai o barato...

Agora estou em casa. Fiz um esparguete a bolonhesa delicioso para o jantar, quando menos me esforço melhor me saio na cozinha. Tenho um Checo com 1.90m, morenaço e de olhos azuis ea andar pelo corredor. Um amigo da amiga que veio cá passar uns dias e dormir no quarto ao lado. "Conta-me histórias...." O rapaz ainda por cima é giro que se farta. Ando sempre à escuta para que ele não me apanhe de robe no corredor...
É engraçado que quando não tenho coisas pendentes, chatices, trabalho pelos cabelos, esta casa quase me parece perfeita. Tudo me parece quase perfeito. Não fosse estares tu do outro lado da cidade agarrado a um computador...

quarta-feira, janeiro 10

Sobre a minha dificulade em decidir parte III

E pronto, as cartas estão em cima da mesa.
O jogo segue dentro de momentos...

terça-feira, janeiro 9

A picture of us...


Tenho tantas saudades de quando me tirávas fotografias sem parar. Quando achávamos piada a este papel de parede horrível, à luz do quarto, e pedias para me fingir de distraída para que tu pudesses apanhar-me assim desprevenida no meu melhor momento. E conseguias sempre... nem pareço eu em algumas destas imagens, de tanta magia e alma que consegues reunir num pedaço de tempo. Eu gostava tanto... fingia-me de modelo. Ficávamos ainda mais tempo a ver o resultado. Uma após outra passávamos as fotos em revista e punhamos defeitos na luz, na má focagem, na máquina, escolhíamos as melhores. Gravadas na memória.
Deu-me para isto hoje....
Sempre me conseguiste ver de uma maneira diferente, porque me conheceste primeiro pelas palavras e só depois pelos traços do rosto e do corpo. E conseguias sempre capturar aquele brilho no olhar, aquele sorriso, aquela luz que eu desconhecia ter.
E acho que é porque nunca acreditamos em nada, que não nos momentos em que estávamos juntos, que gostávamos tanto de tirar fotografias um ao outro. E eu tenho saudades tuas...
De um momento para o outro deixamo-nos envolver pelo trabalho. Esse bicho cheio de tentáculos que nos vai puxando e prendendo e absorvendo e sugando os melhores momentos até que eles passam também a ser rotinas. Um jantar. No mesmo restaurante. Uma ida ao cinema. Outro filme, a mesma sala. Uma ida às compras. Outro shopping, as mesmas lojas. Um passeio na Baixa. Uma tarde é o que temos para nós.
Deixamos a máquina em casa, já conhecemos bem a cidade. Mas o trabalho vai connosco. Está ali entre nós, nas conversas, no pensamento, nos minutos que passam tic tac e lá se foi mais um fim-de-semana, mais uma semana, mais projectos, clientes, desafios, coisas que se fazem porque ainda somos novos e tal, porque há outros que querem o nosso lugar. As nossas insónias, as nossas directas em frente a um computador, o nosso cansaço, o nosso stress, os nossos projectos, os nossos clientes, o nosso chefe, o nosso trabalho, as nossas rotinas e o nosso salário ao fim do mês...

Tenho a tua máquina aqui ao lado e queria ressuscitar hoje aqueles noites de poses e risos... Vens?


PS: tinha que pôr esta musica a tocar...

segunda-feira, janeiro 8

Sobre a minha dificuldade em decidir parte II

Quando a decisão está quase tomada, chega uma segunda-feira para estragar tudo.
Voltei ao ponto zero. Os pratos da balança estão novamente equilibrados. E a minha decisão

Preciso de um cartomante ou de um tarólogo qualquer que me ajude a ver a luz no fundo do tunel... Help!

domingo, janeiro 7

Sobre a minha dificuldade em decidir....

A minha pior característica é a indecisão. Não é só uma característica, é um defeito assumido!
Eu simplesmente não consigo decidir nada, tento sempre adiar ao máximo para ver se a coisa se resolve sem eu ter que optar.
E isto acontece-me nas mais variadas situações. Quando ando às compras: gosto de uma camisola, mas não sei qual a cor que prefiro, gosto de uns sapatos mas não os compro antes de fazer uma visitinha a outras lojas, não vá eu encontrar uns mais giros, e só depois de as correr todas é que decido. Não sei o que fazer para o almoço, tiro tudo o que tenho no frigorífico e às vezes fico-me apenas pela sopa que já está feita e é só aquecer.
E eis que estou perante uma situação em que tenho que decidir que rumo tomar. É uma daquelas coisas que nós sempre desejámos mas que nos cai no colo quando menos esperamos. Uma proposta que não é perfeita, mas seria irrecusável desde logo, não fosse a lista de prós e contras que já comecei a colocar num e noutro dos pratos da balança.
Outra minha dificuldade é a mudança (agora os defeitos vêm todos em cadeia!), que por sua vez está ligada à indecisão. Estou sempre muito segura num local que já conheço e isto de mudar de poiso faz-me confusão. Não é a adaptação, é a antecipação da mesma, a certeza de que vou mudar, aquele momento imediatamente antes da mudança acontecer efectivamente, dá para perceber?
Isto deve resolver-se de alguma maneira não sei.... Por enquanto a única coisa que eu sei é que não sei o que fazer. Vou estar insuportável durante os próximos dias....

quinta-feira, janeiro 4

2007

Et voilá... já se foi 2006. Um ano positivo, eu diria. Não aconteceu assim nada de extraordinário na minha vida, mas tive sempre sáude, consegui afirmar-me num novo emprego, deixei de fazer aquelas viagens intermináveis de Expresso e de andar ao molho no Metro todos os dias ao comprar o meu lindo carrinho. Inscrevi-me num ginásio e, apesar de não ir tantas vezes como devia, continuo a marcar presença. Ok, continuo na mesma casa, mas também já me habituei tanto a este espaço e a esta rua que já nem penso muito nisso, por enquanto.
Hoje foi o dia do regresso ao trabalho. Uma nova agenda cheia de folhinhas brancas para preencher com compromissos. Nesta altura do ano sinto sempre a mesma sensação estranha. Depois da passagem de ano parece que fica em nós a certeza de que tudo vai ser diferente no dia a seguir. Ora, o regresso ao trabalho permite-nos constatar que tudo continua na mesma e que assim será durante mais um ano. E foi assim que me senti quando me sentei em frente ao meu computador perante a tarefa de ler os 50 emails recebidos durante a minha ausência.
Contudo, e apesar das aventuras e desventuras que espero que aconteçam em 2007 que venham mais 12 meses... o que interessa mesmo é vivê-los...

quinta-feira, dezembro 21

Natal!

O melhor dia das férias é o último dia de trabalho. Principalmente quando as coisas estão calmas, quando sabemos que a nossa presença alí é dispensável. Os telefones raramente tocam. Chega um email de hora em hora.
Vou partir amanhã cedo para mais um Natal daqueles a sério. Com a família toda lá em casa à volta da lareira para ver se não congela. A falar do que se tem feito, projectos para o ano que está à porta. Levo a mala do carro cheia de prendas. Tenho aqui ao lado o saco pronto, cheio demais, eu diria, mas é inevitável...
Este ano a minha carta ao Pai Natal não fazia grandes exigências, quero só continuar a ter o meu espaço neste mundo e senti-lo como meu. O resto, vem por acréscimo...

Um Feliz Natal a todos....

terça-feira, dezembro 19

As coisas em dia...

Sinto-me descansada hoje.
Despachei as prendas todas ontem num final de dia num Colombo a abarrotar. Não sei como, mas tal era a minha energia para vir dali com as prendinhas todas na mão que em duas horas consegui comprar tudo.
Hoje também consegui ir ao ginásio. Confesso que a minha resistência ficou um pouco aquem do habitual, mas é compreensível, já não punha lá os pés há três semanas.
Finalmente consegui estar em casa quando o senhor do Circulo de Leitores tocou à campainha. Devia-lhe 20 euros de mais um livro de uma colecção sobre as Civilizações que ando a fazer e que nunca mais chega ao fim. São aquelas coisas fantásticas em que eu me meto e nunca consigo sair delas. É que o senhor tem ar de avô e quando chega à minha porta, no 3º andar, já vem mais morto que vivo e eu, que ando a ensair o discurso há séculos para o ir mandar bater a outra porta, não consigo!! E os livros que não leio vão-se acumulando.
Estou a dois dias das férias. Vou para o frio do norte, pôr as ideias em dia e o corpo em stand by por uma semana. De acordo com o meu signo para 2007 (eu não acredito em nada destas coisas, mas que às vezes os astrólogos acertam lá isso é verdade) vou ter um ano de muiiitooo trabalho. Só de pensar nisso até sinto arrepios na espinha. É bom: estar ocupada em rotinas, ser precisa, ter responsabilidades. É péssimo: viver para trabalhar, não ter tempo para estar com quem mais gostamos. Deixar as prioridades para o fim da fila, o trabalho sempre em primeiro lugar.
Também de acordo com essa fantástica previsão (lida nesse fantástico guia do ser feminino, mais conhecido por revista Elle) tenho que deitar as minhas garras de fora para não deixar que as pessoas se aproveitem do meu trabalho e me passem a perna, mesmo que isso implique ir contra os meus principios. Sim porque, e passo a citar "basicamente você é boa pessoa, e por isso não gosta de gerar conflitos com os seus adversários". Isto é em tudo verdade, meus amigos. Isto acenta-me que nem uma luva! E eu já decidi, vou deixar crescer as minhas unhas mais do que o habitual. É sempre bom começar 2007 com algumas armas físicas e psicológias....


PS.: A Cegueira tem nova banda sonora... Para quem não conhece são os Dave Mathews Band. E para todos os que conhecem, gostam, mas andam distraídos, corram à FNAC, os bilhetes para o PRIMEIRO concerto DE SEMPRE em Portugal, a acontecer dia 25 de Maio (dia bloqueado na minha agenda) já estão à venda!

domingo, dezembro 17

Coimbra

Voltei a Coimbra. É certo que passei o dia enfiada numa sala da Quinta das Lágrimas com internos de Neurologia (as coisas que uma pessoa tem que fazer para ganhar a vidinha), mas ainda me sobraram uns minutos para perceber que a cidade está mais bonita do que nunca. Mais confusa, com mais trânsito, com prédios por todo o lado, mas mais bonita.
Fiz-me às estrada às 8 da noite e durante a hora de viagem pelo IP3 não consegui parar de pensar em tudo o que vivi naquela cidade. Parece que está tudo ainda tão perto, os lugares, os momentos, as pessoas.... mas não. As pessoas mudaram, eu mudei, por mais que me tente ainda agarrar-me a elas, aproximar-me do passado, eleas fogem-me das mãos, todos os dias, mais um bocadinho.

segunda-feira, dezembro 11

the day is not enough

Está frio.
Sinto-o entranhar-se na minha pele até chegar aos ossos. E gosto.
Sinto-me resitir um pouco mas depois olho em frente e deixo que o vento me solte o cabelo e me bata no rosto com a força de uma onda.
Estou a descer uma rua sem fim, uma das ruas de Lisboa onde é impossível encontrar um taxi. Olho para cima e mal vejo o céu tal a quantidade e a altura dos prédios em tão pouco espaço.
Saí de mais uma reunião, diria quase inútil. Como tantas, como quase todas.
Chega o o taxi. Apetece-me dizer outro destino qualquer que não aquele que me espera todos os dias.
Deixo-me escorregar pelo banco de cabedal. Aproveito o refúgio. Aproveito para me esconder antes que o taxista resolva meter conversa.
Olho pelo vidro enquanto percorro o centro da cidade. Lá fora há folhas espalhadas pelas ruas. As pessoas cheias de pressa de um lado para o outro. Toca o telemóvel e eu finjo não ouvir.
"Ora, são oito euros".
Passe-me um recibo, por favor...
Ainda são só 11 da manhã....

terça-feira, novembro 21

Mais um dia

Estava praqui a pensar em como os dias são pequenos e nós nem nos damos conta. Andamos sempre a pensar nos fim-de-semana, nas férias, como um escape para o trabalho, para as rotinas, para as coisas chatas que temos que fazer para receber uns trocos no final do mês que nos permitem ter fins de semana e férias de jeito.
E nesta ânsia de arranjar uma fuga nem nos apercebemos que estamos, no fundo, a desejar que o tempo passe. Vamos ficando mais velhos... Nem nos damos que cada dia que passa é menos um em que tivemos a oportunidade de mudar, de fazer algo diferente, de mudar a rotina, e não o fizemos....Porquê? Voltamos ao início, porque precisamos de trabalhar para nos mantermos ocupados, para ganharmos dinheiro, para termos férias para descansar disto tudo.
É uma contradição. E é uma forma de conseguirmos traçar metas e objectivos, digo eu, que não vivo sem eles...

domingo, novembro 19

Síndroma de Domingo

É Domingo.
Fui abastecer a cesta da fruta e a prateleira dos legumes no frigorífico. O Pingo Doce está novinho em folha, até apetece comprar mais coisas...
Estão a passar filmes atrás de filmes na Tv e eu nem olho para lá.
Estou a fazer o start up da semana. Press Releases, informação de agenda, alguns contactos...
Está frio, já vesti não sei quantas camisolas e continuo a tiritar e a sentir-me desconfortável com a temperatura.
Comi metade de um pacote de 200gr daquelas gomas em formato de urso.
Há lá coisa melhor do que um Domingo descansado?

Há aqui qualquer coisa que...

Passei o dia em arrumações. Dizem que quando queremos organizar o nosso espaço e os nossos objectos é porque no fundo sentimos também a vontade de mudar qualquer coisa na nossa vida.
Não sei se foi esse o motivo que me fez andar de um lado para o outro a mudar livros e cds de sitio. Acho que foi mais a necessidade de me sentir ocupada. Um fim-de-semana sem trabalhar em Lisboa é uma coisa estranha, porque parece que não consigo quebrar o ritmo da semana. Preciso de ir para casa, de ouvir silêncio, de me sentir 300 km longe disto tudo.
Nesta casa está tudo no sítio e arrumado como munca. Menos eu. Há qualquer coisa cá dentro que não me tem deixado sossegada. Uma inquietude, uma incerteza, uma revolta, qualquer coisa que aparece em rasgos no meu pensamento e logo desaparece. Mas que me atormenta, me deixa desconfortável.
De onde vem estar estranheza?

quinta-feira, novembro 16

Quero outra vida...

A minha vida nos últimos dias tem sido uma porcaria.
As situações por que tenho passado só me têm servido para provar que eu não me conheço a mim própria, que cá dentro há força que eu não sei de onde vem, há vontade de ir em frente e fazer mais, vontade essa que resiste mesmo quando um só empurrão é suficiente para me deitar ao chão.
Ontem consegui enfiar 600 pessoas numa sala do São Luiz. Desenrolei roll ups, coloquei arranjos de flores, recebi pessoas, encaminhei jornalistas, dei bilhetes, distribuí balões, promovi entrevistas, peguei no microfone e mandei toda a gente sentar-se. Vi-me obrigada a vestir a minha roupa de gala em 5 minutos no WC do teatro, por pouco ficava sem collants, mas lá consegui manter a compostura de uma lady.
Cheguei a casa com a cabeça a pesar toneladas.
E hoje, levantei-me à mesma hora e lá foi a escrava preparar mais uma aventura. Se isto é uma prova à minha resistência física e mental, devo dizer que já tive dias melhores.
Eu sinto que isto não é vida para mim, mas lá no fundo dá-me um gozo tremendo matar-me a trabalhar para, no final, poder responder "correu muito bem".

domingo, novembro 12

Reconhecem esta música?



E dia 23 lá nos encontramos na Aula Magna...

quinta-feira, novembro 2

Telemovel parte II

Hoje vou ter que falar bem do telemóvel.
Não fiz outra coisa senão dizer "estou sim" o dia todo.
Colocar o nosso nome e o nosso número de telemóvel numa informação de agenda com um título apelativo e enviá-la para as redacções faz maravilhas...
O evento é só amanhã mas esta parada já está ganha..
Venha o próximo que isto agora só pára em Dezembro....

quarta-feira, novembro 1

O chamado telemóvel profissional

Lá se passou o feriado. E a única coisa que me ocorre dizer é que os telemóveis são a pior coisa que podia ter sido inventada. Pronto, são bons para manter contactos pessoais, para falar com os amigos, com os namorados, com os pais, a familia e o piriquito, mas profissionalmente são um pesadelo.
Para além, de ter que andar com dois telemóveis no saco, coisa que me irrita seriamente, tenho que estar sempre disponível, posso estar no WC, a fazer o jantar, no ginásio, em qualquer lado, não interessa. Seja qual for a razão que invoque ninguem percebe porque é que não atendi o telemóvel. E o pior é que nunca sabemos quem poderá ser.
Hoje aproveitei para passear e fazer aquelas comprinhas que fazem sempre falta no armário. E digo-vos que não há coisa pior do ter a porcaria do aparelho aos berros, a tocar que se farta, como se não houvesse amanha. Lá tive que me desligar do feriado e adoptar a minha postura profissional para atender e dizer "estou sim". E não é que do outro lado estava o Prof. Dr. António das Couves do Hospital de não sei das quantas a procura não sei de quem, ou a precisar de um contacto qualquer que eu, em pleno feriado, fora do escritório e sem paciência não tinha para lhe dar.
E volto para casa chateada quase a 200 à hora na 2ª circular para finalmente encontrar o tal contacto e ligar ao Prof. Dr. António das Couves e ele dizer-me: "olhe entretanto já encontreio o número".
Meus amigos, a vida é dificil...

segunda-feira, outubro 30

dúvida da noite

Sabem o que é pior do que não ter o que queremos? É não saber o que queremos de verdade!

Porque é que eu tinha que nascer Balança?

domingo, outubro 29

A minha Cegueira voltou para mim

Se no outro dia fiquei admirada por ter um tipo a ocupar-me a Cegueira, hoje fiquei mais ainda quando cheguei aqui e vi que a tinha recuperado. Não sei muito bem o que se passou mas espero que não volte a acontecer.

Até porque hoje é um daqueles dias em que me apetece escrever. Cheguei a Lisboa cedo, ainda não me habituei a esta mudança de hora. Andei pela casa a arrumar coisas, jantei, tomei um banho, vesti o pijama, empurrei-me para cima da cama a fazer zapping durante algum tempo, tempo suficiente para ver a Manuela Moura Guedes a cantar ao estilo da Tina Turner e decidir levantar-me.
Nestas alturas a internet sempre serve para alguma coisa: passar tempo.
Sinto-me sozinha nesta casa que começa a ser pequena para as minhas expectativas. Isto também é um assunto repetitivo, eu sei, mas preciso de arranjar uma casa, sei lá, um sótão, umas águas furtadas, um cantinho qualquer em Lisboa mas que seja só meu, que eu não tenha que partilhar com ninguem que ouça André Sardet a altos berros do outro lado do corredor, como estou a ouvir agora...

quinta-feira, outubro 26

quinta-feira, outubro 19

Sem tempo

Tinha saudades de escrever aqui qualquer coisa.
Hoje tirei um tempinho para ficar quieta, para despejar a confusão em que se transformaram os meus dias. Tenho trabalho, tenho mesmo muito trabalho, tanto ao ponto de não conseguir pensar em mais nada. Não vou ao cinema há mais de um mês, chego a casa sempre depois da 20h e nem tempo tenho para cozinhar, tenho uma pilha de roupa lavada para passar a ferro, tenho os armários da cozinha a pedirem-me mais mantimentos, tenho que ir às finanças e não consigo....
Dizes-me que é mesmo assim, que agora somos novos e estes esforços que fazemos vão ajudar-nos a ter estabilidade no futuro.
E eu não acredito. A partir de agora as coisas só vão piorar, as reponsabilidades só vão aumentar e o tempo vai ser sempre pouco demais para tanto.
Como é que se vive assim?
O que me vale é o pensar positivo. Chegar a casa e tentar desligar a ficha. Pôr aquele CD e cantar baixinho, esquecer que amanhã começa tudo outra vez.
Mas, felizmente.... amanhã já é o início do fim-de-semana....

quarta-feira, setembro 27

A girl with 25



I am a bird girl now
I've got my heart
Here in my hands now
I've been searching
For my wings some time
I'm gonna be born
Into soon the sky
'Cause I'm a bird girl
And the bird girls go to heaven
I'm a bird girl
And the bird girls can fly
Bird girls can fly


Antony And The Johnsons
Bird Guhl

terça-feira, setembro 19

Faz-me falta...

... os meus pais: as minhas raízes ficaram a mais de 300 km de distância. Faz-me falta a segurança, o carinho, a ajuda, o incentivo. O abraço e o amor que estão sempre longe quando deles mais precisamos.
... a Tina: a minha melhor amiga ficou em Coimbra. Faz-me falta pela companhia, pelas risadas, pelas confidências, pelas interminaveis viagens Viseu - Coimbra, pelas maluquices como saltar da cama às 2 manhã para ir beber um copo ao Dom Dinis. E pelas torradas com doce que comíamos às 5 da manhã ao chegar a casa.
... Coimbra: a cidade mais mágica do mundo, sinto falta de tudo, até das noitadas em branco a estudar e a ouvir o Oceano Pacífico. Dos amigos: Marco (fazem-me falta os filmes, as conversas à porta de tua casa, os passeios pela cidade no final de um dia de Julho) e Marta: faz-me falta a alegria e a convicção, a partilha de sonhos, o Couraça, sempre café no Couraça, as saídas à noite. Faz-me falta o amigo Carlos que se perdeu no país e não mais deu notícias. E todos os outros amigos que fui encontrando durante 4 anos, todos os amigos que me fizeram rir e chorar. Faz-me falta a varanda da minha casa virada para o Mondego e todas as horas que lá passei.
... o jornalismo: faz-me falta pelo ar descuidado e despreocupado, pelos leads que demoravam horas a sair em condições, pelo stress, pela A Capital, pela secção e Cultura & Lazer e pelo Info&Net, pelas palavras que deixei de escrever e por todas as que ainda tenho para escrever...


...

segunda-feira, setembro 11

Bad monday

O Pacheco Pereira e o Mário Soares estão a falar sobre terrorismo e ordem mundial e estados unidos e 11 de Setembro.
Os vizinhos do lado falam alto que se farta.
A casa está tao silenciosa que quase consigo ouvir os meus próprios pensamentos a ruminar.
Estou sem vontade de fazer grande coisa.
Tive um dia da treta.
Ainda sem computador andei a mudar de mesa em mesa, o dia todo para conseguir trabalhar.
Doi-me a cabeça.
Tive que gramar com uma tiazorra que diz que faz jóias em cristais swarovsky mas que no fundo não passam de missangas baratas...E tenho tanto azar que quando me foi oferecer um anel os meus dedos são tão fininhos que todos os que ela tinha na exposição me escorregavam do dedo.
Jantei duas torradas com doce e um copo de leite, tarde e a más horas.

E hoje ainda é so segunda-feira.

quinta-feira, setembro 7

Colapso

A máquina andava a ameaçar desde o início da semana. E eu avisei, fartei-me de avisar que o raio do computador estava mais lento, que bloqueava por tudo e por nada, que era preciso ligar a impressora a outro PC, que tinha que reiniciar de meia em meia hora. Eu avisei, ninguém me ouviu. Resultado: todos os emails que acumulei durante um ano foram à vidinha deles juntamente com o disco.
E amanhã vou chegar ao escritório e passar o dia a ler revistas.
Eu avisei...

terça-feira, setembro 5

Lisboa

Comecei a semana com uma atitude positiva. É assim que temos que ser...positivos.
Ok, há coisas que podiam ser melhores, há coisas que gostaríamos de mudar, há coisas que nos aborrecem e nos deixam em baixo de vez em quando, mas temos que pensar positivo.
Toda a gente que eu conheço que não mora em Lisboa e que pensa que Lisboa é só confusão, stress, barulho, trânsito e tudo de pior que possa existir, me pergunta porque é que eu continuo aqui, porque é que eu não tento arranjar um emprego em Viseu, onde tudo é mais calmo, onde estou perto da família, onde poupo dinheiro na renda, onde a vida é mais barata e mais calma.

E eu tenho dificuldades em explicar os meus motivos. Porque só quem vive aqui sabe porque é bom viver aqui. Já ninguém cai naquela conversa do emprego e das oportunidades. E por muito que eu faça uma lista de coisas boas que Lisboa tem, no final da conversa o comentário é sempre o mesmo "devias era voltar para cá".

No sábado armei-me em turista de máquina fotográfica ao ombro e parti à re-descoberta da Baixa, tomei um café na Brasileira, fiz compras nos Armazéns do Chiado. Fui jantar à Adega do Teixeira no Bairro Alto...

Ontem dei por mim a cantar num Pavilhão Atlântico cheio, ou à beira disso, aquelas músicas que eu ouvia tantas vezes há uns anos atrás... Confesso que nem conhecia bem o novo álbum, mas isso não interessa nada porque quando se gosta de Pearl Jam, gosta-se mesmo e para sempre. E apesar de ter chegado a casa tardíssimo, de ter adormecido já passava das 2 da manhã, acordei hoje com uma vontade incrível de sair para a rua e repetir a rotina.

É por isto que eu gosto de Lisboa...

quinta-feira, agosto 31

à deriva

Não consigo lidar muito bem com o facto do sucesso do meu trabalho não depender apenas de mim.
Fazemos o melhor que sabemos e podemos.
Já me arranha a voz de tanto argumentar ao telefone...
Esgotei os números para onde ligar.
Tudo parece encaminhado.

Mas,
o editor não achou interessante,
o espaço não dava nem para uma breve,
era tarde demais para ir recolher imagens, ouvir pontos de vista...

E,
o meu esforço, o meu valioso trabalho resume-se a nada.
Não importa o que façamos, se não foi noticiado, se ninguém viu nada nem ouviu falar, foi um fracasso.

Não, não é justo. Sim, é trabalhar às escuras.
E amanhã começa tudo outra vez...

terça-feira, agosto 29

Memória



"Nem sequer sobrevivemos na memória dos outros. A ciência destruiu esse mito. Cada vez que recordamos alguma coisa, estamos na realidade a recordar a última vez que o recordámos, pois a memória não vai à marca original, à primeira coisa que se gravou, mas sim à última. A memória dos seres humanos é virtual, como a dos computadores. Ao abrir um arquivo, não estamos a abrir o que era quando o criámos pela primeira vez, mas sim o que ficou da última vez que o usámos. É o recurso mais sofisticado do nosso cérebro contra a dor".

Mentira de Henrique de Hériz

O livro que, por esta altura, ocupa a minha cabeceira e me faz companhia nas pequenas viagens de rotina...E, não sou eu que o digo, mas bem podia ser, é um dos melhores romances espanhóis das últimas décadas...

domingo, agosto 27

Dia 0 de mais uma semana

Mais uma viagem, a mesma de sempre, a mesma rotina.
À chegada peguei num saco que não era meu mas era igualzinho, o meu já não estava lá.
Pânico. As minhas roupas, os meus cremes e o meu perfume, a minha maquilhagem, os meus sapatinhos lindos, o meu carregador de telemóvel e o carregador do MP3... tudo nas mãos de outra pessoa, não sei onde, tudo perdido entre Viseu e Lisboa, sabe-se lá onde poderiam estar.

Abri o saco que tinha nas mãos. A primeira coisa que pensei foi: quando virem as minhas coisinhas lindas vão ficar com elas. Não consegui perceber o que estava dentro do saco: roupa suja misturada com uns chinelos de praia pretos de tão gastos e imundos, uma escova de cabelo cheia de cabelos e um secador dos anos 80. Pânico.

Fecho o saco e entrego-o juntamente com o meu número de telemóvel, para o caso da pessoa ser honesta como eu e querer os seus haveres.
Venho para casa de mãos a abanar. Pouco depois ligam-se.
O meu saquinho foi parar a Abrantes, deu uma voltinha maior do que o habitual, mas voltou para mim, com tudo lá dentro....

E eu penso no valor que damos às coisas, aos objectos. Podem não ser grande coisa mas são nossos, têm uma história. Que valor têm os nossos objectos quando já não os temos?

terça-feira, agosto 22

Silly season: dia nº 22

Sabem o que é que sabe mesmo bem?
Acabar o dia com a sensação de dever cumprido no trabalho
Calçar os tenis e sair para a rua...suar até ficarmos esgoatados
Chegar a casa... tomar um banho demorado...andar pela casa enrolada na toalha com o cabelo molhado a pingar a pele
Fazer uma salada de queijo fresco e salmão
Comer com preguiça e assistir à discussão entre o Eduardo Cintra Torres e o Luís Marinho no Jornal do Mário Crespo na SIC Notícias
Ouvir o Coiote da Antena 3 e escrever um post...
Ouvir o Indigente da Antena 3 enquanto leio, até adormecer...

segunda-feira, agosto 21

Teorias da felicidade

Há uma teoria da felicidade daquelas de trazer por casa que diz, na sua versão positiva, que quando tudo corre mal, virá algo de muito bom para amainar a tempestade e tranquilizar a alma. Depois há a versão negativa que diz que quando tudo corre bem avizinham-se desgraças e tormentos.

Eu não sou nada pessimista. Posso estar um pouco mais em baixo, desanimada, a pensar que não tenho nada do que quero ter, que ainda sou pouco do que quero ser, mas no dia a seguir já estou a arregaçar as mangas e a seguir em frente de cabeça no ar. Mas, (há sempre um mas nestas coisas), nos últimos dias, e isto de trabalhar em sáude também condiciona a coisa, dou comigo a pensar que a minha vida me anda a correr bem há algum tempo e que poderá vir desventura ao virar da esquina.

Quer dizer, na verdade estes pensamentos devem-se ao facto de saber que várias pessoas amigas, conhecidas, amigas de amigos estão a deparar-se com problemas de saúde, que no fundo é o essencial para tudo o resto. Como diz a minha sábia mãe, podemos ter tudo, mas sem saúde nada mais tem valor.

Ora eu que sempre fui uma rapariga saudável, exceptuando as minhas terríveis crises de rinite alérgica na Primavera, pergunto-me o que estará reservado para mim... Não fumo, não bebo bebidas alcoólicas, pratico desporto, não apanho sol em exagero nem nas horas de maior calor, tenho uma alimentação cuidada... Mas será que isto adianta alguma coisa, será que no fundo não temos já a nossa história traçada e caminhamos apenas ao encontro dela até ao juízo final?

terça-feira, agosto 15

De regresso

Voltei.
Dos lugares que nas últimas duas semanas me acolheram guardo o descanso e algumas decisões. Voltei com ideias novas, quer dizer talvez as mesmas ideias de sempre, mas agora com uma outra vontade, a de as concretizar, custe o que custar.

Tinha saudades deste meu cantinho e de tudo o que ele significa.

Amanhã volto a pisar terra firme, com algumas areias movediças às quais tenciono levar a melhor...

terça-feira, julho 25

Insónias

Cada vez mais me convenço de que a vida são dois dias e que a felicidade é relativamente impossível. Porque somos insatisfeitos por natureza. Porque queremos sempre mais. Porque quando pensamos que conseguimos assentar as rodas no alcatrão, colocar os carris no lugar certo, acontece alguma coisa que nos fura o pneu, que nos faz descarrilar, esbarrar contra o vazio das coisas.

Tenho medo das doenças de que falo todos os dias, que se passam a minha volta, que batem à porta de conhecidos, amigos, familia e lhes destroem os sonhos.
Tenho receio de não tomar as decisões certas, e adio-as até ser inevitável. Fico ali dividida entre os dois lados da balança cheia de dúvidas que me tornam insuportável. Tenho vontade viver os mesmos dias de outrota e medo de voltar a cometer os mesmos erros. Tenho medo de adormecer nas rotinas, de não saber, de não querer saber...
Quanto vale o tempo que tivemos? E o que ainda temos?

E o que somos depois do nosso tempo passar? Nada... para além do soubemos fazer melhor...E o que é o meu melhor?

segunda-feira, julho 24

Um ano depois...as férias

Começamos a perceber que somos alguém quando vamos de férias e temos coisas para deixar aos colegas. Quando percebemos que há pessoas que dependem de nós e que quando não estamos, ficam assim meio perdidas sem respostas para as perguntas que insistentemente nos fazem. É bom, desde que o telemóvel não toque durante o merecido descanso.

Estou a contar os dias para desaparecer daqui. Para partir para outras paragens e esquecer que tenho pessoas que me chamam por tudo e por nada. Quero recarregar baterias e começar de novo. Mais forte e segura.

Há um ano por estes dias vivia a, até então, pior semana da minha vida. Um ano passou desde que A Capital chegou às bancas pela última vez, nesse dia pensei que ia desaparecer também. Entretanto os meus projectos de vida foram mudando e mudando a maneira como encaro os dias e o futuro. O jornalismo ficou em segundo ou terceiro plano. Num plano que por enquanto está longe, e assim quero que fique.
Faço comunicação sobre outra perspectiva mais crua, mais fria, menos ingénua, sobretudo mais realista do que o jornalismo que ainda vive de utopias.

Um ano depois faço a mala com a certeza de que tenho um sítio para onde voltar...

quinta-feira, julho 20

A nossa Nintendo DS Lite

Eis que descobri o mundo dos videojogos. É certo que já tinha tido algumas experiências em PC’s e em tardes de PlayStation a aturar o meu afilhado, mas a coisa nunca me tinha convencido muito.
Até... ter tido contacto com esse grande invento da tecnologia: a Nintendo DS Lite. Um estudo divulgado recentemente diz que o vício provocado pelos videojogos é semelhante ao da cocaína, meus amigos só vos tenho a dizer que é um vício messsssmoooo bom...
O jogo que mais tempo me rouba é o Brain Training, que basicamente nos obriga a fazer cálculos mentais e através de pequenos jogos avalia a nossa idade cerebral... Mas, para tal é necessário jogar todos os dias. O Dr. Kawashima, que é quem nos guia pelo jogo, vai-nos dando dicas, para durante o dia exercitarmos a nossa actividade cerebral.

Só vos tenho a dizer que a consola nem sequer é minha mas há duas semana que não a largo.
Estou a pensar comprar uma cor-de-rosa quando chegar ao mercado português...
Ontem estive ate à 1 da manha a jogar Sudoku...

Estarei viciada?

quinta-feira, julho 6

sorrir e acenar...

Eu bem que pensava que Julho ía ser um mês calmo, mas as reuniões começam a preencher a minha agenda ao ritmo de uma por dia. E eu que cada vez tenho menos paciência para fazer aquelas conversas de circunstância, dou por mim, dois dias seguidos, a conversar com pessoas que falam que se fartam das suas vidas e de futebol e do estado em que se encontra o nosso país, cada vez pior, sem emprego , sem perspectivas...
E eu tento virar o assunto para o que interessa e falar de uma doença que afecta 500 mil portugueses e que será a sexta causa de morte no mundo em 2020 e cuja causa principal é o tabaco... e ela acende mais um cigarro.
E eu espanto mais uma mosca que não me larga a pele e mudo de posição na cadeira de metal que me deixa as calças coladas às pernas... E tento acabar a conversa três vezes, e ela pede mais um café e eu olho à volta e sorrio...just smile and wave girls, smile ang wave, that's the only way you can do this...

quarta-feira, julho 5

Portuguesas versus Francesas

O Scolari está a falar à nação.. depois de 90 e tal minutos a ver se a bola entrava na baliza da França, sem resultados, só me lembro de uma coisa: as francesas não fazem a depilação nas axilas.
Nós, portuguesas teríamos uma claque muito mais bonita no último jogo deste mundial...

segunda-feira, julho 3

Coisas para fazer

Acho que estou a perder aquela vontade e o prazer de escrever que tinha antes...
Não sei se é por falta de tempo ou por falta de motivos mas tenho deixado andar os dias sem me sentar em frente ao monitor e despejar as coisas que cá vão dentro.
Não há muito a dizer, é certo, mas sempre tive tanta necessidade de marcar no papel os sentidos e sentimentos que não sei ser sem isso...E ao mesmo tempo sempre que o faço não sei o que escrever.
Quando ando de comboio tenho uma tendência para pensar na vida, nas coisas que gostava de fazer, nos sonhos, nas frustações. Dei por mim, numa das últimas viagens e ao virar a ultima pagina do mais recente livro de Paul Auster, a pensar que seria bom ter um projecto só meu, do género escrever um livro. É uma tontice, mas sinto falta de ter alguma coisa que me prenda quando chego a casa... obrigar-me a concentrar, a ponderar, a procurar as palavras...

O vento suave entra-me pela janela e traz-me o cheiro a comida da vizinha do andar de baixo. Penso que amanhã vou ter outro dia com pouco para fazer, e penso que terei dias sem tempo para fazer tanta coisa. Penso nas férias e nos sítios que quero vistar. Penso nos meus pais, longe. Penso na solidão. Penso em estudar novamente. Penso em nós. Nos sonhos que temos e no tempo que passa a correr...

Estive a fazer um refresh dos cds que tenho espalhados pelas prateleiras, sabe bem ouvir coisas que não gostámos quando as ouvimos pela primeira vez...
Sigur Rós faz-me companhia hoje...novamente.

domingo, junho 18

Crónica de um final de férias

Se tiver em conta a tempestade que tomou conta do país na semana que passou, até que as minhas férias não foram más. Mas desta vez o corpinho ao sol e o livrinho na mão foram ameaçados diariamente por nuvens carregadas que teimavam em baixar a temperatura e esconder o sol...
Aliás eu nunca passei tanto tempo a olhar para o céu, a tentar perceber o movimento das nuvens e a chegada da chuva. Mas eu que sou uma pessoa aventureira e que não sai da praia a não ser que seja levada por um tufão, posso assegurar-vos que tomar um banho de mar quando caem os primeiros pingos de uma tromba de água é delicioso...

Amanhã é dia de regresso ao trabalho e às velhas rotinas.
Mas esta pausa serviu para pensar nas prioridades e para pensar em começar algo de novo...

terça-feira, maio 23

Futebol..

A minha relação com o futebol é assim um misto de indiferença e desprezo. Não tenho clube, não me importo com campeonatos e quero distância de conversas sobre transferências de jogadores e treinadores.

Não tendo eu paciência para notícias sobre futebol, fico extremamente preocupada quando penso que ainda nem começou o Mundial e a minha antena de ligação à actualidade já me diz que atingi o limite. Pessoal, por muito que todos gostássemos, alguém acredita mesmo que vamos ganhar o Mundial? Ou que vamos repetir a proeza do Euro 2004?

Eu não sou pessimista mas não estou muito crente...
E iniciativas como a bandeira da mulherada só tornam a coisa pior. Mas quem é que se mete num trânsito infernal num sábado a tarde com uma temperatura que acaba com qualquer protector solar factor 50 para formar uma bandeira?

Não há paciência para tanta notícia sobre o Ronaldo e Figo e companhia. No meio de todas as coisas que se dizem da selecção, interessou-me particularmente uma reportagem sobre o que é que os jogadores levavam na mala para o estágio. O Nuno Gomes e o Petit, criaturas inocentes nestas andanças da comunicação social disseram que levavam o novo filme da Sharon Stone, ora o dito cujo ainda não está disponível em DVD. Quem gostou de ouvir tais declarações foi a PJ que quis saber como é que o filme foi parar à malinha do Nuno Gomes...

Já estou a ver a notícia: Mulherada da bandeira manifesta-se na PJ exigindo libertação de Nuno Gomes, preso após terem sido descobertos 1000 filmes piratas nas suas várias residências.

sexta-feira, maio 19

Lisboa

Quando me meti pela primeira vez num autocarro da Rede Expressos rumo a Lisboa, não sabia o que me esperava. Achei a viagem horrivel e interminável. Pensei logo que não conseguiria aguentar aquilo por muito tempo, aquela distância física e psicológica das minhas verdadeiras raízes.
Primeiro tudo me parecia mau. Uma casa feia, numa zona que eu não sabia muito bem se era central, se era manhosa. Andava na rua desconfiada, a olhar para tras. Não me aventurava muito em sitios que não conhecia.
Depois comecei a ter uma rotina. A ter que ir trabalhar para sitios que eu não fazia a minima ideia onde ficavam. E comecei a alargar os meus horizontes. E a entranhar a cidade.

E depois de viagens Viseu-Lisboa que já perdi de conta e de percorrer estas ruas a pé e de taxi. E depois de dois anos a desenrascar-me, a conquistar o meu espaço aqui, a enraizar-me no meio dos outros desconhecidos, chego à conclusão de que gosto muito de fazer parte desta cidade... sabe bem sentir que nos conseguimos adaptar...

quinta-feira, maio 18

Actualização do estado de humor...

Ando alheada de mim mesma. Sem me dar atenção, descurando o que se passa e quem está à minha volta. Não tenho já paciência para as mesmas coisas e tenho a sensação de que me deixei levar pela rotina e pelo trabalho.

Maio é um mês para esquecer. O trabalho entranhou-se de tal modo nos poros da minha pele que nem o banho, ao final do dia, mo tira do corpo.
Não há um único dia em que não espirre pelo menos umas 50 vezes e gaste os 100 lenços de papel que trago na carteira. Malditas alergias. Ontem, depois de 12 horas de crise no Dia do Iogurte caí na cama e mal respirava tal o grau de obstrução das vias nasais. Foi tal o desespero que até um Zirtec fora da validade tomei...

Tenho dois casamentos nos próximos 20 dias. Preciso de ir às compras e nem vontade tenho para isso. Trabalhar é bom para não gastarmos dinheiro. Estamos tão ocupados que nem pensamos em gastar. Há umas 3 semanas que não vejo o meu saldo bancário, só pode ser bom sinal...

Tenho a vida toda à minha frente e não consigo fugir do que me prende aqui. Como é que se faz para não sermos só o que fazemos no dia-a-dia?

quarta-feira, abril 26

home sweet money

Nada de novo no horizonte.
O trabalho ganha volume de tal forma que sinto que está para breve o momento em que vou ser levada por uma tromba de água. E vou demorar um mês a vir à superfície!

Fui finalmente ao banco informar-me sobre as possibilidades de endividamento. E não ouvi nada que já não soubesse, quer compre uma barraca em Chelas ou um pequeno palácio na Expo a situação é a mesma, há 100% de probabilidades de eu só ter a casa paga quando for muito velhinha (ainda que mantendo o charme, claro) de nos próximos 40 anos ter apenas dinheiro para comer e pouco mais. Acabaram-se as loucuras na Zara e as malas da Parfois e os cremes e tónicos para tudo e mais alguma coisa.

Uma pessoa acredita que até ganha um salário jeitosinho, que tem poder de compra, que consegue aguentar-se, apesar da crise, mas um gerente de banco troca-nos logo os planos. E de um momento para o outro sentimo-nos as pessoas mais pobres do mundo...

terça-feira, abril 18

o texto que se segue não faz sentido nenhum...

Acabo as noites sempre da mesma maneira. Um complemento do trabalho. Uma perninha que faço para me lembrar do jornalismo e para ganhar mais uns trocos.
A Primavera confunde-me. Acordo de manhã e nunca sei o que vestir. Olho para o armário com vontade de escolher um top mas o tempo ainda não convida e opto sempre pelas camisas...
Continuo com vontade de mudar de casa, mas sem tempo para a procurar. Lembro-me todos os dias da necessidade imperativa de ter um espaço só meu quando ouço uma chave a rodar na fechadura sem saber quem será. Mas já nem sei o quero e o que posso. Sabem quando fixamos a ideia numa coisa de tal modo que não vemos as outras possibilidades à nossa volta?
Sinto-me assim em tudo.
Escrevo sempre sobre os mesmos temas.
De manhã acabo por vestir sempre as mesmas coisas porque tenho sono e pressa e não me apetece estar a fazer novas combinações.
O trabalho corre bem, mas desde que me instalei que deixei de abrir a janela e procurar novas possibilidades.

O mundo é um lugar estranho. Nunca chegamos a fazer parte dele verdadeiramente. Vamos criando raízes nos sitios sem nunca nos enraizarmos porque nunca estaremos suficientemente bem para o fazer.
Tenho a noção de que entro nas portas que já estão abertas à minha passagem e mesmo tendo a chave de outras tantas, nunca as chego a abrir porque não me apetece procurar o buraco da fechadura...

domingo, abril 9

Quem vai ao IKEA quer casa...

Ir ao IKEA é o pior erro para quem não tem casa própria. Temos vontade de comprar tudo o que vemos à nossa frente e o entusiasmo esvai-se ao pensar que não temos sítio só nosso para por o que quer que seja. Ainda assim não resiti em comprar mais uns objectos para o meu quartinho que está agora cheio como um ovo..cheio de pequenas coisas que me fazem sentir em casa, apesar de tudo...

Hoje foi dia de mais uma visita a uma casa à venda. De longe a melhor de todas as que vi até agora, com o Tejo à espreita em todas as janelas... Mas eu sou de facto esquisita e muito mesquinha nos pormenores, tenho que confessar. Estou a espera de encontrar uma casa que eu sinta que tenha a ver comigo e isso ainda não aconteceu...

quarta-feira, abril 5

Em casa partilhada....

Sabem quando é que sabemos que não dá mais para viver na mesma casa com uma pessoa?
Quando ela nos tira da despensa um rolo de papel higiénico e o esconde no cesto da roupa suja na casa de banho para eu não dar conta que ela mo roubou à socapa.

Custava assim tanto pedir?

quarta-feira, março 29

pérolas...



Queria que olhasses fundo nos meus olhos e me fizesses acreditar que o mundo sou eu e que os outros são acessórios. Os outros são uns brincos pirosos que eu tenho porque os comprei por impulso e só os ponho quando, de manhã, saio à pressa de casa sem olhar para eles.

Queria voltar atrás. Dar-te a mão sem motivo e não ter motivos para ta devolver. Saber que aquelas palavras não foram repetidas. Saber que os silêncios dos telefonemas de uma hora não foram uma fórmula ensaiada com outras relações proveta que geraram nada.

Queria perceber porque é que tenho dúvidas se já sabia que os brincos eram pirosos antes de os comprar. E queria perceber porque é que mesmo deixando-os no fundo da caixinha de bijuteria eles permanecem comigo todos os dias desde que os vi na loja...

segunda-feira, março 27

a crack in the wall



As coisas parecem-me estranhas hoje. À luz deste novo dia, o que ontem me disseram ficou atravessado na garganta e ainda não consegui digerir.
Pensamos, acreditamos que somos os únicos no mundo para aquela pessoa e de repente apercebemo-nos de que não é bem assim. Houve outras histórias que entretanto se cruzam com a nossa e ficam ali lado a lado num corredor escuro de paredes forradas a segredo...
E nós somos mais um no corredor. Entramos e saímos das divisões da casa e cruzamo-nos uns com os outros. Vamos até ao quarto quando queremos estar sozinhos, vamos para a sala quando queremos falar um pouco com os outros. No fundo, nunca nos separamos dos outros, carregamos todas as histórias às costas e arrastamo-las para as relações que temos hoje partilhando corredores que quería só para nós...

segunda-feira, março 20

Um dia no trabalho

Começou hoje mais uma daquelas semanas... Uma conferência prevista, outra que nos cai em cima na véspera e nos estraga os planos todos.
Quando era jornalista, no ano passado para ser mais precisa, pensava sinceramente que nas agências de comunicação não se fazia grande coisa. Fazia-se um muito babysitting aos jornalistas, faziam-se uns telefonemas, trocavam-se uns argumentos e a coisa ficava por ali. As raparigas que faziam gabinete de imprensa e que nos recebiam em congressos e nas conferências de imprensa pareciam sempre impecáveis e bem dispostas.
A experiência no terreno mostrou-me o outro lado. Fazem-se muitos telefonemas, porque tem que ser, muitas vezes ouvimos coisas que não gostamos e temos que engolir. Escrevem-se muitos press releases e muita informação de agenda e inventa-se muita citação. E depois ainda temos que guardar o nosso melhor sorriso para o dia do evento, lindas e simpáticas como nunca vistas.
E há alturas, como hoje, em que se trabalha em paralelo dois assuntos diferentes, e é dificil passar as duas mensagens aos mesmos jornalistas.
Há dias, como hoje em que os 3 telefones tocam ao mesmo tempo e não temos respostas para tudo e parece que damos em doidos...
Há noites, como esta, em que chegamos a casa e só queremos mesmo dormir...

quarta-feira, março 15

Tv is back in the house

É oficial, voltei a ser uma telespectadora.
A Worten enviou-me um sms a informar que o meu aparelho já estava disponível para levantamento e lá fui eu toda contente levantar a dita cuja.
Já está ali em cima da estante a passar as mesmas porcarias de sempre...Ao menos sempre dá movimento ao quarto...

terça-feira, março 14

Meme

«Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs aviso do ‘recrutamento’. Ademais, cada participante deve reproduzir este ‘regulamento’ no seu blog.»

Levada na onda dos meme (obrigada mary pela convocatória)deixo aqui cinco little things sobre mim:

1. Tenho um problema com as gavetas e as portas dos armários. Abro-as, mas nunca as fecho logo a seguir. Às vezes dou por mim na cozinha com os armários todos escancarados.

2. Quando quero comprar uns sapatos, por exemplo, tenho que ir a todas as lojas do shopping ver todos os modelos disponíveis e só depois optar por um par. Tenho que ter a certeza que comprei os mais giros, para não correr o risco de me arrepender 5 minutos depois.

3. Detesto que me mexam no cabelo, aquele mexer tipo acariciar. Para a maior parte dos comuns mortais é agradável ter alguém a fazer-nos festinhas, mas eu não suporto tal coisa. O meu cabelinho é sagrado e não quero outras mãos, que não as minhas, por aqui a passearem-se (excepção feitas às mãos das minhas duas cabeleireiras lindas).

4. Sou viciada em fruta. Dos morangos, às papaias, passando pelas bananas e pelos melões, pelos kiwis e pelos pessegos, gosto de tudo. E posso ter a dispensa vazia mas a fruteira tem que estar sempre recheada. Tenho sempre quilos de fruta variada em casa.

5. Quando está muito frio não sou capaz de dormir se sentir que as minhas costas não estão completamente tapadas com os cobertores. Mesmo que estejam levantados apenas 2 milimetros, eu sinto. Gosto da roupinha toda muito aconchegadinha.

E depois das minhas manias, as deles...
1. Edelweiss
2. Marco Mendes Velho
3. Amor Maior
4. Tasquinha
5. (I)literacias

sexta-feira, março 10

Ele tinha razão...



Quando há 4 anos, entrei numa barraquinha de um cartomante, numa daquelas feiras do oculto de centro comercial, e o bruxo me perguntou se eu estava no curso que queria e se tinha a certeza que era o aquilo que queria seguir, virei-me para ele indignada e disso: "ó meu amigo, é a única certeza que tenho na vida". Bastaram uns aninhos para não sentir o mesmo. O homem tinha razão quando disse que a minha vida ia dar uma reviracolta em termos profissionais. E deu.

Ontem dei por mim em plena ModaLisboa a barrar a entrada a vips na conferência de imprensa que EU tinha organizado! A conferência reunia várias mulheres conhecidas que se juntaram à Associação Laço para lançar a campanha - Fashion Targets Breast Cancer (o Cancro da Mama no Alvo da Moda) - que basicamente consiste na venda de t-shirts com um alvo desenhado (símbolo criado em 1994 por Ralph Lauren e que ficou para sempre associado ao cancro da mama).

Enquanto os jornalistas se atropelavam para falar com as mil e uma meninas lindas e altérrimas que por ali andavam com a nossa t-shirt vestida eu observava quieta e comentava com a minha colega: "esta é a prova do sucesso do nosso trabalho, não somos precisas para nada, está tudo a acontecer, naturalmente". Desde Dezembro que andávamos a preparar aquele momento: dias e dias de reuniões, tardes de contactos e argumentos. E depois daquelas duas horas em que tudo se decide, fica apenas a sensação de que valeu a pena, e de que, apesar do cansaço, estamos prontas para outra! E acho que é a isto se chama gostar do que de faz...

PS. Já agora as t-shirts vão estar a venda a partir de segunda feira numa loja Lanidor perto de si...

terça-feira, fevereiro 28

Frida Kahlo

Ao contrário do que poderíamos todos fazer Frida Kahlo, a pintora mexicana conhecida por ter as sobrancelhas juntas e bigode, auto-retratava-se tal como era, salientando até os seus defeitos. A vida e obra desta pintora estão em exposição no CCB até Maio.
Levada por algum fascínio e curiosidade, lá fui eu no sábado, dia a seguir à abertura da exposiçao ao público, ao CCB. Chovia a cantaros, potes, choviam rios de água. As botas que trazia calçadas apertaram-me o pé esquerdo de tal modo que me fizeram calo (nada mais apropriado) e tive que andar o tempo todo em bicos de pés. Mas, não havia fila para comprar bilhetes e lá fui eu. Esperei dez minutos para entrar. Vi a placa que dizia que só deixavam entrar 150 visitantes de cada vez. E eu pensei, "bolas, a sala deve ser muito grande para 150 pessoas conseguirem circular e ver a exposição em condições". Ilusões... a sala não era assim tão grande, as obras estavam distribuídas por divisórias dentro da mesma sala e dei por mim em filinhas sucessivas para conseguir ler as legendas e ver de perto os prmenores da obra Unos cuantos piquetitos ou Auto-retrato com macaco (nem vi bem o macaco).
Exceptuando todas estas condicionantes a exposição vale a pena, não apenas pelas obras expostas, confesso que esperava mais, mas pela reconstrução em fotos dos grandes momentos da vida de Frida.
E os três Pastéis de Belém salvaram a tarde...

quarta-feira, fevereiro 22

video killed the radio star

Ter televisão é uma coisa engraçada, habituamo-nos de tal modo a ela que mesmo que não estejamos a prestar atenção sentimos a necessidade de a ter ligada.
Depois de muito ponderar lá decidi ir de televisor em braços até à Worten. Por sorte o aparelho ainda estava na garantia e mais sorte ainda tive em ter guardado o recibo de compra que serve de factura. Eles fazem de propósito porque sabem que ninguém guarda os talões das compras, enfim...
Na assistencia ao cliente, sempre muito eficiente, disseram-me que dentro de 30 dias me telefonavam para eu ir buscar o aparelho. Ora, perante este cenário sinto que estou perante duas realidades que se me impoem: ou me esqueço entretanto que tenho televisão e que preciso dela e faço a minha vidinha normal a ouvir o indigente da antena 3 todas as noites e a adormecer com o oceano pacífico, ou desgraço o orçamento de vez e compro uma nova, daquelas flat pannel...e quando vier a outra compro um canário e faço dela uma gaiola...

terça-feira, fevereiro 21

Estado de espírito

Nova banda sonora neste meu espaço de desabafos, de visões e cegueiras momentâneas.
Estou cansada. Tive mais um fim de semana para esquecer, chuva, raios e trovões, árvores caídas na estrada onde conduzia, pouco tempo para estar com quem passo tempo quase nenhum.
A gripe foi-se, mas o dente do ciso resolveu nascer com toda a força e romper a gengiva de tal modo que mal consigo abrir a boca. Só pode querer dizer que nunca tive tanto juizo como agora!
Tenho uma semana cheia de reuniões e eventos para mediatizar. O que me confronta sempre com o nervoso miudinho e o stress e um camião tir a fazer pressão sobre as minhas costas a lembrar-me que é preciso ter muitos jornalistas, é preciso convidá-los, convencê-los, levá-los lá, fazê-los escrever. São os dois minutos na tv, e as três linhas nos jornais que servem para avaliar o meu trabalho...

sexta-feira, fevereiro 17

o descanso da deusa

Chega ao fim uma semana que espremeu o meu corpinho e a minha mente como se de uma laranja se tratasse. Como se o volume de trabalho não fosse suficiente as dores de garganta e a gripe resolveram juntar-se à festa para piorar as coisas.
Sinto-me exausta! Completamente incapaz de fazer seja o que for.
Resta-me uma viagem de comboio até o norte do país e um fim-de-semana cheio de nada para fazer...

segunda-feira, fevereiro 13

O jornalismo perdeu as histórias

A comunicação e o jornalismo no nosso país chegaram a tal ponto que a condição para se fazer notícia de uma acção de rasteios cardiovasculares à população lisboeta, e lembro que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal, é a pesença dos chamados vips.
Traduzo: a presença de Isabel Angelino e José Figueiras, por exemplo, tem mais importância para os dois jornais mais vendidos no nosso país do que a presença de médicos e técnicos de cardiopneumologia em plena Praça da Figueira a ensinar a população sobre como evitar que a gordura que ingerem lhes entupa as artérias e lhes provoque a morte.

E eu pergunto-me: que raio de país é este que só vende jornais pelas caras das pessoas que traz na primeira página e não pelas histórias que conta?

domingo, fevereiro 12

Have a nice week

Resumo de um fim-de-semana em Lisboa:

- passei a noite de sexta-feira enfiada no quarto a trabalhar com o portátil à frente;

- no sábado ia a entrar num autocarro no Rossio e vi a mão de um senhor dentro do meu saco. A minha mãe está sempre a dizer-me para eu comprar sacos que tenham um fecho ou qualquer outro mecanismo que permitam isolar o conteúdo, mas eu penso sempre que nunca me acontece a mim. E só não aconteceu porque eu dei conta a tempo. Disse das boas ao homem em frente a toda a gente que estava a espera naquela paragem e ele acabou por esperar pelo próximo autocarro, pois naquele já não conseguia roubar nada.

- O Francisco Louçã foi praticamente meu companheiro do lado na sessão do filme Brokeback Mountain. Já o estou a ver nas próximas semanas a apresentar um projecto de lei a favor do casamento entre homosexuais. Viva o amor sem barreiras, se dois vaqueiros norte amercianos podem, Portugal também pode!! Eu até gostei do filme, é realmente uma bela história de amor, mas que só tem piada porque é entre dois homens. E tenho que confessar que algumas cenas me fizeram um pouco de confusão. Mas é sem dúvida uma forma de, á boa maneira americana, se resolver um tabu. Anda o cinema europeu há anos a fazer filmes do género para trazer a homosexualidade à boca do mundo e Hollywood reolveu a qustão com um só filme que ainda por cima esgota bilhteiras e está nomeado para oito Óscares!

- Hoje, domingo, acrordei mais cedo porque tinha a meu cargo a árdua tarefa de limpar a cozinha e o meu quarto forrado a papel de parede que acumulava pó em todos os malditos cantos. Acabei por fazer umas pequenas mudanças de decoração, mas o resultado não foi muito positivo. O meu lindo candeeiro IKEA ficou incomodado com a mudança de posição e queimou o fusivel, apagando-se de vez. E pior de tudo, a minha TV de 88 euros da worten, com menos de dois anos de uso, resolveu meter reforma antecipada e não me deixa ver coisa alguma. O som ainda ouço mas no lugar das imagens a cores está apenas um écra cinzento.

Domingo à noite refastelada numa cadeira na sala com os pés em cima do aquecedor.
O Herman toca no fundo para conseguir audiências.
Tenho 55 canais da TV Cabo e não consigo ver nenhum programa que agrade...

terça-feira, fevereiro 7

blink and you'll miss it

Quando pensamos que estamos a fazer tudo o que está a o nosso alcance para que a outra pessoa sinta que estamos a partilhar o melhor de nós, do nada surgem palavras que não esperávamos ouvir e que nos poem a pensar para que raio nos esforçamos tanto.

No fundo, acho que a todas as relações, sejam elas de que índole forem, se aplica a velha máxima: dás a mão e eles querem-te o braço. E eu dou-me conta de que também já dei o braço, mas prefiro ficar por aqui.

Se não valorizamos o que temos à frente o melhor é deixá-lo solto para que outros lhe possam dar valor...

sexta-feira, fevereiro 3

Contra relógio

Crescemos depressa demais.
De repente só temos fotografias para nos lembrarmos da infância. Os amigos começam a casar-se de repente ao ritmo de um ou dois por ano. E eu ponho-me a pensar, será que são eles que têm pressa ou serei eu que acho que uma decisão destas quanto mais tarde for tomada, melhor?

As responsabilidades desabam-nos em cima diariamente. Já ninguem paga as contas por nós, ninguém nos trata da roupa, ninguém tem o jantar pronto quando chegamos a casa. De repente somos só nós, a levantarmo-nos da cama quase de madrugada, todos os dias, a chegar ao emprego, abrir a agenda e ver onde vamos gastar o tempo, a beber um café que não sabe a café, a dar uma vista de olhos nos jornais, a conferir o email...

De repente já não somos adolescentes. Já não nos são permitidas determinadas atitudes, todos esperam o melhor de nós, e nós ansiamos pelo sucesso. Aos 25 anos não temos nada e queremos tudo. Ainda não somos adultos mas já não somos adolescentes. Ainda não conseguímos o sucesso, mas provamos todos os dias que, mais cedo ou mais tarde, vamos lá chegar.

Será de mim, ou aos 25 anos o mundo parece correr depressa demais para o conseguirmos acompanhar?

terça-feira, janeiro 31

Dias iguais

Há dias em que temos que engolir uns sapos e fingir um sorriso para conseguir continuar a conversa, evitando a faísca.
Há outros em que viramos as costas e deixamos a insignificancia a falar sozinha...
As coisas só têm valor se forem valorizadas por alguém!

Adiante...
A minha saga em busca de um pequeno chalet continua, mais calma contudo dada a avalancha de telefonemas para fazer e para atender, de orçamentos para pedir, datas e reuniões para marcar. Os dias passam depressa, uma confusão aqui um rejubilo ali e a rotina instala-se cada vez mais profundamente nesta minha nova profissão que me agrada, mas que tem os seus desafios.
Isto tudo para dizer que continuo entre paredes forradas a papel. E esta noite parece Natal outra vez, tal as vezes que o quadro da electricidade vai abaixo... Haja paciência!

quarta-feira, janeiro 18

Pensamento da meia noite

Nos últimos dias tenho feito um esforço para não dizer aquilo que penso de modo a não ferir susceptibilidades. Mas depois fico a matutar naquilo e a pensar que não posso deixar que pensem que sou quem eu não sou.

Isto não me está a sair muito bem. Mas quero eu dizer com isto que desde sempre me conheci calma o suficiente para ouvir e dar desprezo. E agora dou comigo a querer trocar argumentos e impor-me.

Será que antes era uma paz de alma, ou será que perdi a paciência e não me dei conta disso?

terça-feira, janeiro 17

A saga continua

Já sei de cor os preços e as condições da maioria das casas que constam nos sites de imobiliárias mais conhecidas e inclusivamente consigo detectar as novidades introduzidas todos os dias em casa site. É fantástico não é?
Infelizmente é triste pensar que, independentemente da imobiliária com quem oficializar o negócio, cerca de 5% do valor que vou pagar pela casa vai direitinho para o bolso deles. Mas cada um ganha a vida como pode não é?
Devo dizer, contudo, que a minha ainda breve experiência nesta área, me permite dizer que os vendedores da Remax são assustadores. Na minha primeira visita a um t2 duplex (com muito bom aspecto nas fotografias) a vendedora deixou-me 20 minutos a espera numa rua que metia medo ao susto num dia em que chovia torrencialmente. Para além disso, deve ter olhado para mim e pensado que se eu não tinha dinheiro para comprar um guarda-chuva (tinha levado com uma carga de água a caminho da tal casa a visitar) também não teria para comprar uma casa.A verdade é que apesar de termos trocado contactos e de ter especificado quais as zonas e preços preferenciais, nunca mais ouvi falar de tal senhora.

A casa até nem era má, exceptuando o facto de na cozinha só caber uma pessoa, das escadas que conduziam à suite serem tão ingremes e tão pequeninas que colocando o pé de lado ainda ficava metade de fora, das escadas do prédio serem forradas com aquelas passadeiras de plástico da casa dos nossos tetravós e de no prédio morarem duas velhinhas há anos que provavelmente deviam ter uma criação de gatos (10 cada uma no mínimo).

E a saga continua....

sexta-feira, janeiro 13

Desabafo

Ontem à noite estive muito perto de arrancar os cabelos a alguém.
Sabem quando nos começa a subir assim uns calores e já não aguentamos ver a pessoa à nossa frente a dar ordens e a falar da nossa vida como se tivesse alguma autoridade para o fazer? É o que dá viver com pessoas desconhecidas, pensam que só porque partilhamos o mesmo espaço podem impor limites ao que fazemos.
Era só o que me faltava!

quarta-feira, janeiro 11

Um regalo para os olhos

Depois de muito insistir com o meu mais que tudo e lhe fazer as vontadinhas todas durante uns dias, eis que ele me apresenta a sugestão perfeita para adornar a Cegueira. Digam lá se não está simplesmente perfeito?

terça-feira, janeiro 10

O presente é passado já

Pensamos sempre no futuro como estando longe demais. Como se ainda fosse cedo para fazermos o que queremos, ou como se ainda não fosse altura para o fazer porque nos sentimos ainda muito jovens para assumir determinadas coisas.
O presente transforma-se assim numa espécie de época de transição. Sentimos que ainda estamos a iniciar a nossa vida de adultos, mas olhando para trás e fazendo contas ao tempo ido, já lá vão dois anos.
E o que é que eu consegui nestes dois anos?
Alguma estabilidade é certo, sentido de responsabilidade, mais convicção nas minhas decisões, mas no fundo, e equacionando todos os pratos da balança sou ainda aquela rapariga que saiu da universidade a acreditar que ia conquistar o mundo inteiro. Ainda é cedo, insisto em pensar. Mas será realmente?

segunda-feira, janeiro 9

Relax


Estou com uma dor de cabeça tremenda. O dia foi um bocadinho mais movimentado do que habitual, e isso foi o suficiente para que corpo e mente se ressentissem. Ainda não estava preparada para o trabalho, após três semanas de puro ócio.
Como se não bastasse, chegar a casa e entrar na cozinha para fazer o jantar é uma aventura! Até conseguir reunir os ingredientes no balcão tenho que arrumar pilhas de louça, descer três andares para despejar o lixo e fechar todas as janelas que as "queridas" com quem eu (para mal de todos os meus pecados) partilho a casa. Quem é que deixa as janelas abertas todo o dia em pleno Inverno? Eu podia fazer uma lista de estranhos fenómenos com os quais me deparo nestas quatro paredes forradas a papel de mau gosto, mas hoje não estou para isso.

Vou refastelar-me neste meu quarto alugado a preço de ouro que, longe de ser o céu, me parece,hoje, mais aconchegante do que nunca.
Como banda sonora tenho o voz do moço que queria ser moça: o fantástico Antony... and the Johnsons.

terça-feira, janeiro 3

Ao quarto dia de 2006



Apesar de já estar com um pé em 2006, o ano que passa deixa boas e más recordações que, inevitavelmente vão influenciar os 365 dias que temos pela frente e que ainda estão frescas na memória.
Para mim 2005 foi um ano de afirmação profissional, passei a ocupar um cargo de responsabilidade, ainda que discretamente. Seis meses depois perdi-o. Fecha A Capital, a ameaça cumpriu-se sem que pudessemos fazer nada e, no prazo de uma semana, ficamos sem posto de trabalho. Agosto não foi um mês de férias mas de desespero, sem saber se o regresso a Lisboa valeria a pena. O que fazer? A pergunta que não me largava a perna. Fazia eco em todo o lado.
Em Setembro os meus dias conhecem novas rotinas, novo emprego, novas caras. Uma agradável surpresa que me fez pensar na minha valorização pessoal, no que sou capaz de fazer para além do jornalismo. Até que ponto conseguimos suportar um emprego em que não somos reconhecidos pelo que fazemos? No fundo, tinha consciência de que precisava de mudar, talvez tenha sido melhor assim, ou não, nunca saberei.

Neste ano espero conseguir construir o meu espaço. 2005 foi também o ano em que percebi que precisamos de arriscar muito para conseguir alguma coisa na vida. Dividir casa é uma ideia fantástica para quem quer sair da saia dos pais, para quem vai estudar para fora. Mas seis anos são mais do que suficientes para chegar ao limite.
Quero continuar a minha formação académica. Tenho saudades de estudar. Ler livros não é o suficiente. Quero voltar a investigar, apresentar conclusões.
Não sei como vou conciliar tudo isto, mas quero arriscar.

quinta-feira, dezembro 29

4º sentido


Tenho saudades de escrever.
Tenho saudades do meu bloco de notas e do meu gravador, guardado numa caixinha à espera que lhe volte a por pilhas.
De esperar para ouvir as pessoas ou de ir atrás delas.
De contar as histórias dos outros.
De encadear as ideias e os argumentos.
De não ter mais para dizer e ainda ter meia página para preencher.
De ter a sensação de não ter escrito nada e ver a página cheia.
De ouvir dizer que o título não é bom. De pensar noutro rapidamente que ainda me sai pior.
Tenho saudades do jornalismo.

Que o futuro me traga, de novo, um lugar nesse mundo...

quinta-feira, dezembro 22

O Natal e as compras

O Natal está à porta. Já comprei todas as prendas e, das duas uma: ou tenho mais dinheiro do que no ano passado por esta altura ou estou uma mãos largas.
Ainda assim reconheço que comprar não é de todo o espírito do Natal, mas a verdade é que é impossível passar ao lado de tanta azáfama. Coitadinhõs dos moços que passam o dia todo no Toys'r'us a fazer embrulhos!!
Quando era "pikena" acordava na manhã do dia 25 e ía a correr para a árvore para desembrulhar os presentes. Nesse dia era eu a acordar os meus pais tal era a euforia. Sempre fui uma criança inteligente e precoce (pouco dada a histórias ficcionais, portanto) e nunca acreditei muito na história do Pai Natal. Aliás, não percebo como é que os miúdos de hoje, que nascem a saber mexer em computadores, a falar inglês e a perceber de tudo quanto é aprarelho high tech ainda caem na história das renas e do Pai Natal a descer pela chaminé. Mas isso é outra história.
O que eu queria dizer com isto tudo é que, infelizmente, a ideia de união e de amizade se perde cada vez mais. Transformamos tudo o que sentimos em prendas, dos chineses, das lojas bagatela, da gant, dependendo do lugar que a pessoa ocupa na nossa escala de consideração.
Como foi que nos tornamos assim?

quarta-feira, dezembro 14

Quero uma casa deste tamanho


Castelo de Palmela

Já estou de olhos postos em 2006. Não gosto de fazer aquelas listas de coisas que queremos mudar ou fazer no ano que se aproxima, porque acabamos sempre por deixá-las a meio. Para 2006 tenho um objectivo: ter uma casa só para mim, seja alugada, comprada, ocupada, roubada, não me interessa!
Há 7 anos que partilho casas com pessoas mais ou menos desconhecidas, tempo suficiente para estar à beira de uma ruptura na minha saúde mental.
Esperar para usar o wc, querer fazer o jantar e ter os bicos do fogão todos ocupados, aturar os namorados das vizinhas de quarto aos fins-de-semana, isto quando não vêm para cá fazer ranger a cama aos dias de semana ao ponto de uma pessoa ter que bater na parede (é verdade, aconteceu num dia de pouca paciência, bati na parede e o rapaz foi embora! lol)São apenas alguns dos motivos fortes para ganhar juízo e me deixar disto. A dificuldade está mesmo no dinheiro. Os euros não abundam, é certo, mas se deixar de comprar umas quantas peças de roupa por mês sou capaz de conseguir! Quem vai sofrer é o armário, mas não podendo cortar nos livros nem nos CDs nem no cinema nem nos jantares com o meu mais que tudo, é o que me resta...

segunda-feira, dezembro 12

De volta




A pedido de muitas famílias voltei a dar corda aos dedos.
Neste tempo em que deixei A Cegueira às escuras, a minha vida deu uma reviravolta. Deixei o jornalismo. Passei para o outro lado do passeio. A separar a assessoria e o jornalismo está apenas um riacho que se atravessa sem termos que arregaçar as calças. E eu molhei os pés e passei para o outro lado por uma razão simples: sobrevivência.

E a minha vida ganhou novas rotinas a que me acostumei. E não penso muito no que ficou para trás porque não queria ser mais uma a contar para as estatisticas do desemprego.

O meu amigo Marco, do outro lado do mundo, diz que se não escrevo é porque a vida me corre bem. O truque é mesmo acordar de manhã e seguir em frente, estou a aprender a não pesar os gramas de cada decisão que tenho que tomar!

segunda-feira, agosto 29

Nua e crua

A vida é injusta.
Quando menos esperamos deixa-nos nus e descalços à beira da estrada... a pedir boleia. E quem passa nunca vai para onde nós queremos. E metemo-nos em atalhos. E enveredamos por caminhos avessos e alternativos até voltarmos à estrada principal...

sexta-feira, julho 8

Little idiot



O eco na minha cabeça e os outros a andarem de um lado para o outro como se todos soubessem para onde caminham.
E o eco na minha cabeça não me diz nada.
E penso em todas as camas em que dormimos e em todos os sítos por onde passamos e no nada que somos, e no tudo que queríamos ser.
E todos continuam a andar de um lado para o outro, em passadeiras que os deixam do outro lado da estrada. Em pontes que os levam para margens de outros rios.
E o eco na minha cabeça... Ouço as coisas que digo dia após dia, as mesmas. Penso nas coisas que faço dia após dia, rotina.
E o eco repete-se e continua a remoer-me os pensamentos e as entranhas. As mesmas rotinas e as mesmas pessoas e os mesmos lugares cravados de significado para outros, mas não para mim.
E as mãos que tocam nas campainhas para mandar parar o autocarro. As mãos de todos tocam ali e eu penso antes de juntar as minhas mãos àquele ritual de passagens, de impressões.
E o eco continua. O eco como uma mão que me agarra ao que sou e me afasta do que seria se a voz que me fala se calasse para dar lugar ao silêncio...

terça-feira, julho 5

Mentiras que levamos a sério

Há coisas em que temos que acreditar para que consigamos levantar o corpo da cama todas as manhas.

É preciso acreditar que a crise vai passar, mesmo quando as compras do supermercado são cada vez menos e o preço a pagar por elas cada vez mais alto.

É preciso acreditar que nós temos o rumo dos nossos dias na mão, mesmo sabendo que amanhã podemos ser despedidos e ficar os próximos seis meses, na melhor das hipóteses, à procura de um emprego.

É preciso acreditar que estamos a aprender com o que fazemos todos os dias, mesmo que ninguém valorize o esforço.

É preciso acreditar que ter 23 anos é um bom sinal apesar de ainda não termos nada na vida e mesmo que a sensação seja de que apesar de novos já somos uns falhados.

Não sei se acredito, mas preciso...

sexta-feira, junho 24

Wondering...




Não consigo escrever

Deixei as palavras na areia da praia à espera que o mar as inspire
Regressei ao tumulto dos dias e está tudo como sempre foi: incerto...

Vou esperar que elas voltem