sábado, abril 23

Aldeia da Pena




Para muitos seria impensável viver num sítio como este. Escondidos entre montes e quase inacessíveis vivem os 11 habitantes da Aldeia da Pena, na Serra de São Macário no concelho de São Pedro do Sul.
Quando se vai ali pela primeira vez fica-se com a sensação que o tempo não passou. Para aquelas pessoas, certamente que o tempo tem um andamento diferente. Para que servem os relógios se não há autocarros nem metro para apanhar, se não há horas de ponta a evitar?
Ao mesmo tempo, sentimos que nada de mal poderá acontecer aos que ali passam os seus dias. O sol nasce e poe-se, dia após dia, mas acredito que lá no fundo da serra, as 11 pessoas não o vejam ou o sintam todos os dias. Tal é o nevoeiro cerrado que por vezes se levanta por aquelas paragens, quem não conhecer a zona e passar na estrada apertada no topo do monte, nem se dá conta que ali, alguns metros abaixo, onde acaba o penhasco, há vidas humana.
Quando se vai lá uma, duas, três vezes ficamos atentos às mudanças. Agora ja há um café, os visitantes recebem um cartão com os serviços da "casa", almoços e jantares com especialidades como o cabrito assado, provavelmente dos criados mesmo ali, naquelas pastagens cheias de carqueija. Alguém se lembrou de que o artesanato poderia dar dinheiro e toca a fazer casinhas de xisto, tal e qual as da aldeia. De resto de todas as vezes que lá voltamos saímos com a certeza de que não há no mundo lugar tão pacífico.
Pergunto-me o que acontece àquelas 11 almas quando adoecem e precisam de um médico.
Pergunto-me quantas vezes saem dali e para fazer o que?
Pergunto-me se precisam realmente de sair dali...

Acredito que quando se vive muito tempo num lugar como aquele, não se sente necessidade de ir a mais lado nenhum.
Não posso dizer o que vai na alma daquelas pessoas e porque insistem em ficar ali, mas o olhar de um cão rafeiro que por ali se passeava era de um tristeza infinita....

terça-feira, abril 12

segunda-feira, abril 4

Rituais

Repetiu-se o ritual. Uma semana mais tarde chegou a Páscoa lá a casa. Já não há ovos de chocolate nem amêndoas nas prateleiras dos hipermercados, mas a aldeia anda atarefada a preparar a visita pascal. Limpam-se as ruas, coloca-se o alecrim à porta. Lá dentro a mesa está posta. Sobre ela uma toalha de linho, um bolo com cobertura branca a contrastar com a cor das amêndoa no prato mesmo ao lado. A garrafa de vinho do porto está lá também, para o caso de alguém querer beber alguma coisa.
Por muito remota que possa parecer esta tradição, ela continua a fazer parte da minha rotina na época pascal. E não me parece retrógada nem sem sentido, porque ela sempre fez parte de mim como eu dela. Junta-se a família, come-se à pressa e espera-se. Ouve-se o badalo a anunciar a chegada. A família ocupa as suas posições na sala e espera que o padre e a sua comítiva entrem pela casa e salpiquem paredes e pessoas com água benta.
O ritual não foi diferente dos outros anos. Apesar da mesa ter ficado intacta pois, com os seus 70 e tal anos, o pároco já não sobe os degraus para se poupar durante o percurso.
As pessoas são as mesmas mas estão mais velhas. A cruz que nos dão a beijar vem nas mãos do mesmo senhor de sempre, que antes me acarinhava a cabeça e dizia para os meus pais "que crescida que ela está" e que agora me cumprimenta com um sorriso e me pergunta como correm as coisas.
Parece que o tempo pára nessas alturas. Porque a realidade em que estamos inseridos todos os dias é muito diferente daquela. E por muito que tentemos encontrar semelhenças não conseguimos. As pessoas são muito diferentes, as relações entre elas também e o espírito dos lugares é quase oposto. Mas sentimo-nos mesmo parte daquilo tudo. E sentimo-nos priveligiados por estarmos ali...

domingo, abril 3

os dias acabam amanha

parecem pequenas alucinações.

pequenos flashes de qq coisa que me assalta a cabeça.
sinto aquele formigueiro no corpo, aquela vontade de fazer. Mais. Aquela certeza momentânea de que se fizer algo, será algo bom.
Micro-explosões de inspiração, de leveza, de expontaniedade.
E tão depressa surgem como desaparecem.
Passo os minutos seguintes a tentar aperceber-me do que realmente estava a pensar. Passo a hora seguinte a tentar reaver esse momento.
Como se os ponteiros de todos os meus relógios interiores se tivessem alinhado e um canal qualquer especial estivesse sintonizado. Mas apenas apanho estática.
Penso que mais alguns dias assim e a sintonização poderia ser amplamente afinada.
Mas os dias acabam amanha.

E assim correm as horas.
Um fantasma como uma sombra, que me segue vagaroso, à espera de vez.
Como um animal de estimação que é deixado para segundo plano.

A inspiração, o verdadeiro prazer de fazer algo de mim para mim, andou por aqui.
Talvez te veja de novo.

Em breve.

Porque os dias acabam amanha.

quinta-feira, março 31

Standing still


Pus o cansaço a marinar num banho morno de espuma...

segunda-feira, março 28

Ghosts of the great highway that's life




Quando era pequena fascinava-me visitar as pessoas em casa. Ver como é que ditribuíam os móveis e objectos, como é que davam vida às paredes. Não me tornei decoradora, nem pouco mais ou menos, apesar de ter a mania das mudanças e de não suportar ter o meu quarto, por exemplo, sempre da mesma maneira. Mesmo que os objectos sejam os mesmos todos os dias, têm que ser mudados de sítio para parecerem outros e para eu própria me sentir num sítio diferente.
Quando era mais pequena não percebia como é que as pessoas eram capazes de se desligarem de um sítio e partirem para outro, como se nunca por ali tivessem passado, levando mobílias e pertences encaixotados num camião. Muitas vezes deixando tudo para trás. Faz parte de nós aquilo que vamos acumulando. Todos os objectos têm uma história. Assim como as paredes das casas vão acumulando histórias e momentos que nunca poderão ser contados e só são sentidos e lembrados por quem ali passou.
Já vivi em duas casas diferentes às quais nunca chamei lar. Não sei quem nelas viveu antes de mim e quem virá depois de eu sair. Mas posso chamar de lar a uma casa que vi crescer, devagar. E que cresceu comigo e à medida dos sonhos dos meus pais. Quando era pequena pensava que nunca ía sair dali, que era ali que eu me sentia protegida porque tudo ali era meu, nosso. Hoje, apesar de viver mais num prédio de muitos que pouco me diz, sempre que volto para casa reencontro o conforto do sofá e da lareira. Ali estão todos os objectos que fizeram de mim quem hoje sou: as bonecas, os diários de adolescente, os livros, as fotografias... E hoje ainda me custa perceber como é que há pessoas que se desligam tão facilmente do que têm. Sem verdadeiras. Sem lar. Vivem de lugares comuns e sem um espaço próprio e único ao qual possam chamar seu.

quinta-feira, março 24

O meu amor existe

O meu amor tem lábios de silêncio
e mãos de bailarina
e voa como o vento
e abraça-me onde a solidão termina....

Joge Palma

quarta-feira, março 23

terça-feira, março 22

Elements of loneliness

Há sempre várias opções e caminhos à nossa escolha.
Estão ali à nossa frente, à nossa volta, à espera que um dia troquemos o passo e mudemos de rumo.
Mas, por uma razão ou por outra não o fazemos.
Temos músculos, mas falta-nos a força.
Temos vontade, mas falta-nos a coragem.
E dia após dia, tentamos controlar a febre com paninhos quentes.
A temperatura baixa durante o dia e conseguimos respirar, por algumas horas.
Durante a noite assaltam-nos pesadelos e os fantasmas. A febre explode em extase e depois há só silêncio. Ficamos calmos como um cão ferido na berma da estrada, à espera que alguém páre e nos leve para casa. Nos cuide dos ferimentos. Nos dê carinho. E qualquer coisa para a febre...
Temos músculos, mas falta-nos a força.
Temos vontade, mas falta-nos a coragem.

sábado, março 19

Lisboa - Viseu

Eu gosto de Tunas. Como uma ex-estudante de Coimbra, só podia gostar. Naquela ciadade, das duas uma: ou se gosta mesmo das tradições académicas ou se passam quatro anos a remar contra a maré. Mas não é dificil ficarmos apaixonados pela cidade. Adiante que o post não é sobre Coimbra.
Servem as linhas acima para demonstar a minha revolta em relação ao transporte de Tunas em transportes públicos. Quer dizer, é sexta feira, uma pessoa está cansada da semana de trabalho, quer paz e descanso e chegar a casa sossegada. E sossego foi coisa que eu não tive ontem quando uma Tuna resolveu invadir o Expresso Lisboa - Viseu em que eu costumo viajar de 15 em 15 dias.
Tudo correu bem enquanto eles se instalaram e puseram a conversa em dia. Ouvia a minha musiquinha, lia o meu livrinho e as quatro horas iam-se passando. Isto, até alguém se lembrar de começar a tocar flauta, depois viola, depois alguém começou a cantar... E vai daí estava o autocarro todo sorridente a ouvir os meninos vestidos de preto e branco a cantarem o "tiro-liro-liro" e "indo eu indo eu a caminho de Viseu". Haverá coisa mais desagradável do que isto??? Para além de ter que ouvir piadinhas sobre o sotaque de Viseu, as rotundas de Viseu, as estradas de Viseu...enfim!
Ainda ponderei pedir-lhes para se conterem, mas para além de serem mais do que as mães e ocuparem uma metade do autocarro, a outra metade estava a gostar do que ouvia.
Reduzi-me à minha insignificância e aturei-os até Viseu...mas continuo a achar que alguém devia impedir manifestações do género em transportes públicos!!

quarta-feira, março 16

little things

Há coisas que nos distinguem uns dos outros e nos tornam únicos e especiais, para o bem ou para o mal. Estas são as little things que me caracterizam...

Pensar na roupa que vou vestir na manhã seguinte antes de adormecer. Caso contrário é certo que já saio de casa atrasada para o que quer que seja.

É tiro e queda. Quando entro numa loja e vejo uma peça de roupa que gosto inclino sempre para a versão cor-de-rosa. Por causa disso há pouco tempo proibi-me de comprar roupa cor-de-rosa.

Música é indispensável ao adormecer e ao acordar. Sendo que a primeira coisa que faço ao chegar a casa é ligar a aparelhagem.

Tenho a mania de deixar as gavetas e as portas dos armários abertas. Seja o que for que tire de uma gaveta ou de uma porta é certo que ficam abertas. Só quando passo por elas uma segunda vez é que as fecho.

Devoro livros nas viagens que faço de Expresso. Posso estar 15 dias sem pegar num livro mas basta-me uma viagenzita Lisboa-Viseu e vice versa para esgotar com as prateleiras de qualquer biblioteca.

Tenho a mania de contar as coisas e no final dizer "conclusão" e resumir o que disse. Não sei porque o faço mas nem me dou conta disso, só depois de já o ter dito.

Guardo todos os bilhetes de cinema e anoto atrás o nomes das pessoas com quem assisti ao filme (não imaginam os bilhetes que andam aqui por casa).

Não consigo estar num sítio durante muito tempo. Por exemplo, posso ir tomar café a algum lado, mas quando acabo o café quero vir embora e prefiro continuar a conversa noutro lado.

Não consigo estar em casa sem fazer nada. Tenho sempre que estar a arrumar qualquer coisa, a escrever, a ler, a comer...o que for, mas parada é que não.

sexta-feira, março 11

head in hand

no outro dia (um lugar comum) ia a segurar a cabeça num dos lugares traseiros do expresso Lisboa - Caldas quando me apercebi de que perdi a coragem de fazer coisas.
a vontade.
a imaginação para as conceber.
talvez ainda exista em mim isso tudo, sim, mas está dormente.
porque preciso trabalhar, porque preciso arrumar os dias, porque tenho de preparar o futuro, porque tenho tantas preocupações e datas para cumprir.
cada segundo parado é uma dádiva que não posso desperdiçar.
e os segundos correm, têm mais pernas que eu, que já não posso com eles.

parece que só seguro as coisas nas mãos tempo suficiente para lhes tocar e depois desaparecem numa neblina de pensamentos rápidos.
e perdem-se por ai.
havia provavelmente tanto por dizer e fazer, construir, revelar.
escrevo estas palavras num amor platónico às ideias que passaram ao lado.


e agora?

terça-feira, março 1

Desabafo

Gostamos do que fazemos. Esforçamo-nos para que isso transpareça nos temas que escolhemos para os nossos artigos e nas palavras que seleccionamos para os nossos textos. Ainda assim, dia após dia, é só a vontade e o gosto de fazer que nos levanta da cama todas as manhãs. Ninguém reconhece o bom e o mau do que fazemos. E mesmo na altura de compensar o trabalho, ao fim do mês, tentam iludir-nos com histórias para nos pagarem menos do que realmente merecemos.
Um ano e meio depois eis que cheguei a uma altura em que já não consigo acordar todos os dias por gosto. E ainda assim não sei o que posso fazer para que situação mude. Parece que estão todos preocupados demais com as políticas de merda neste país. Só se fala nisso, só se escreve sobre isso, só se valoriza isso.
Depois, à custa disso, uns são filhos e outros enteados. Uns são convidados e outros penduras. Ums são contratados e outros são trabalhadores por contra prórpia forçados. Uns são pagos e outros são explorados. Uns têm mais do que um emprego e ganham bem nos dois e outros não conseguem sequer pagar as contas.
Os cinco anos que se passam numa universidade a pensar que vão servir-nos para construir certezas no futuro não servem de nada. Lutamos todos os dias para que tenhamos uma situação melhor, estável pelo menos, e quando pensamos estar perto de o conseguir, recuamos dois passos. Um para a frente e dois para trás... E vamos seguindo na esperança de que um dia alguém olhe para nós e nos puxe para o grupo dos filhos. No grupo dos que fazem parte do grupo. Dos que não fazem assim tanto, mas ganham mais dos que enteados... Afinal, são filhos da casa... Seja lá o que isso for... Eu ainda sou enteada.

segunda-feira, fevereiro 28

Dias comuns

A distância, não só nos separa, como obriga a deixar pelo caminho algumas das coisas inquestionáveis que colocávamos como número um na nossa lista de prioridades.
Depois de algum tempo em que só conseguimos falar com as pessoas pelo telefone, vamo-nos esquecendo do seu aniversário, das datas importantes. As sms a pergutnar como correu o dia perdem todo o sentido porque já não fazemos ideia do que aconteceu em todos os outros dias que ficaram para trás. E quando nos damos conta temos coversas de circunstância. Ao responder à pergunta "Está tudo bem?" acabamos sempre por dizer que "está tudo na mesma", porque contar o que está mal implicaria recuperar o tempo perdido que em muitos casos, é já irrecuperável.
Sinto que assim seja com alguns dos meus amigo. Deixamos de ter os mesmos lugares comuns, amigos comuns, interesses comuns, programas e saídas comuns, enfim... tudo isso fica arrumado a um canto, numa caixa onde guardamos as melhores recordações daqueles tempos em que as horas dos dias eram passadas a contar o que tinhamos vivido ao segundo.
Sinto que assim seja.

sexta-feira, fevereiro 25

A little song to remind us that...

Don't stray
Don't ever go away
I should be much too smart for this
You know it gets the better
Of me
Sometimes
When you and I collide
I fall into an ocean of you
Pull me out in time
Don't let me drown
Let me down
I say it's all because of you
And here I
Go
Losing my
Control
I'm practising your name
So I can say it
To your face it doesn't
Seem right
To look you in the eye
And let all the things
You mean to me
Come tumbling out my mouth
Indeed it's time
Tell you why
I say it's
Infinitely true
Say you'll stay
Don't come and go
Like you do
Sway my way
Yeah I need to know
All about you
And there's no cure
And no way to be sure
Why everythings turned inside out
Instilling so much doubt
It makes me so tired
I feel so uninspired
My head is battling with my heart
My logic has been torn apart
And now
It all turns sour
Come sweeten
Every afternoon
Say you'll stay
Don't come and go
Like you do
Sway my way
Yeah I need to know
All about you
Say you'll Stay
Don't come and go
Like you do
Sway my way
Yeah I need to know
All about you
Its all because of you
Its all because of you
Now it all turns sour
Come sweeten
Every afternoon
It's time
Tell you why
I say it's
Infinitely true
Say you'll stay

Sway, Bic Runga

terça-feira, fevereiro 22

Sonoridades

Naquele Natal pedi um rádio ao meu pai. Ele fez-me a vontade. Poucas pessoas na aldeia tinham uma aparelhagem com leito de CDs ou sequer sabiam o que isso era.
O meu pai acatou o meu pedido e ofereceu-me justamente um rádio branco com um deck de cassetes. Eu andava com aquilo para todo o lado. Fazia gravações toscas de músicas que eu gostava e que passavam na rádio. Confesso que ainda telefonei uma ou duas vezes para um daqueles programas de "discos pedidos" só para passarem a música para eu a gravar. Guardo numa caixinha algumas dessas cassetes. Até pareço uma velha a falar, mas de facto numa altura em que se fala já de CDs que também já são DVDs (o que diga-se nos fará poupar uma pipa de massa, ou tralvez não), o tempo das cassetes parece uma coisa de outro século.
Lembro-me que o meu primo Carlitos, que hoje de "litos" já tem pouco ou nada, ouvia muito Bryan Adams, Roxete, Aerosmith, Police. E eu ouvia o que ele ouvia e não sabia se gostava porque era isso que passava no meu rádio branco,era isso e pouco mais. Um dia a remexer nas coisas antigas do meu pai descobri que tinha (e ainda tem porque faço questão em preservar) uma colecção de discos de vinil incrivel. Quando comecei a ter faro para a descoberta comecei a perceber como é que o velho giradiscos funcionava. Era confuso para mim como é que uma agulha e um prato preto poderia tocar coisas tão bonitas. Da colecção fazem parte alguns nomes que me recuso a mencionar, e outros como os Beatles, Daddy Cool, ABBA enfim...uma parafernália de sonoridades que só muito mais tarde vim a perceber a história. O meu pai insistia em dizer que já nao se fazia musica como antigamente e eu acreditava, claro.
Quando olho para trás, hoje penso se não será mesmo razão. Porque hoje os grupos que aparecem, desaparecem do modo como chegaram, num ápice. Fixamos uma ou outra musica, cantarolamos aquilo durante uns tempos e depois esquecemos...
Há uma altura na nossa vida em que começamos a absorver influências como uma esponja. E de repente começamos a ouvir o que os nossos amigos ouvem, até encontrarmos uma sonoridade que realmente nos agrade...Não posso dizer que tenha assim um estilo musical de que goste. Mas eu também sou suspeita para falar. Simplesmente não consigo decidir entre azul e amarelo, doce ou amargo, praia ou campo, enfim... E por isso mesmo continuo a ouvir um pouco de tudo. Não sei se isso será bom ou mau, mas foi assim que tudo começou é provavelmente será assim até... o giradiscos ainda está la arrumado com o rádio e as cassetes. Um dia os Cds também farão parte da colecção.

segunda-feira, janeiro 31

Coisa de machos

No sábado passado a Sic passou uma reportagem intitulada Só para Mulheres. Durante largos minutos a jornalista tentava desvendar o mundo de rapazes/homens que colocam anuncios no jornal e recebem mulheres "carentes", muitos deles tendo vidas duplas e fazendo desta actividade, para a qual não há outro nome senao prostituição (digo eu), uma espécie de hobbie das horas vagas.
O que mais me revoltou não foi o facto de venderem o corpo, cada um faz o que quer e o que bem lhe apetece e em relação a isso não tenho qualquer preconceito, mas no meio da história toda as mal vistas são as mulheres. Apesar de serem eles a vender o corpo (coisa que para muitos não deve ser sacrificio nenhum) são as mulheres que respondem e ligam para os números que eles colocam no jornal, que são as "coitadinhas", a quem os maridos não dão atenção e precisam de procurar prazer em braços alheios.
Aliás, uma mulher que se prostitui, na generalidade, é vista como alguém que vende o corpo por necessidade. Basta ver por exemplo, a quantidade de brasileiras e ucranianas que se deixam envolver em redes de lenocínio em bares de alterne, aliciadas pelo dinheiro que precisam . Acontece que no caso retratado pela reportagem os homens chegam a ter vida dupla. São empresários bem sucedidos, futebolistas profissionais, desportistas, e para além disso são uns machos valentes que ainda arranjam tempo para fazer uns trocos e dar às mulheres o que elas precisam. Não digo que não haja mulheres que façam o mesmo, que o façam por simples gosto ou prazer, mas do rótulo nunca se livram!
Por mais que se tente, infelizmente, há pontos de vista que parecem não mudar... As mulheres serão sempre vistas como mais fracas em relação ao sexo oposto...

Patrícia

quinta-feira, janeiro 27

Inverter os papéis

Há alturas na vida em que dar um passo em frente nos parece o melhor que podia acontecer. Alguém nos chama para nos dizer que a vida que temos levado há coisa de um ano vai mudar dentro de um mês.
Na altura pensamos que não podiamos ter ouvido melhor notícia, abrimos a chamapnhe e rasgamos um sorriso. Mas por pouco tempo...
Depois começam a surgir por todo o lado, olhos, ouvidos, mãos, braços, pernas, os bichinhos carpinteiros que nos percorrem o corpo e nos deixam cravados de dúvidas.
Será que é o passo certo? Será que vou ser capaz? Não será um recuo?
E de repente, a espuma da chamapanhe desaparece, o sorriso desvanesce e tudo é posto em causa. Também não adianta espernear, mesmo que cheguemos à conclusão que não foi o passo certo a dar, porque afinal o passo já está dado e a bem dizer, alguém o deu por nós... fomos empurrados para a outra margem sem grande coisa que pudessemos fazer. Ou isso ou a vidinha sem sal nem açucar que levas há um ano.
Isto tudo serve para dizer que depois de matar todos os bichos que por mim se passeavam (ainda cá ficaram alguns, mas já não fazem comichão), cheguei à conclusão (o que é estremamente dificil para um nativo de Balança como eu, pesar as coisas e chegar a uma conclusão) de que não vale a pena tirar nabos da púcara sem que os ingredientes estejam todos misturados.
Vou demorar a habituar-me? Vou. Irei roer as unhas? Sim. Tudo isto e tudo o resto vai acontecer. Mas, guardo a certeza que farei o que estiver ao meu alcance para me sentir feliz, porque, afinal, é o mais importante!
É esperar para ver.
Deixar acontecer.
E dar o melhor. Se o fizer ninguém me pode acusar de nada...

Patrícia

segunda-feira, janeiro 24

Os palhaços e o poder

Quem anda pelas ruas de Lisboa certamente reparou que em alguns dos cartazes eleitorais do CDS/PP (o que diz em letras garrafais “VOTO ÚTIL” com a cara de Paulo Portas a dividir as palavras) foi adornado com uma pequenina bola vermelha, colocada estrategicamente no centro, mais precisamente no nariz do líder do partido. O que uma simples bola vermelha é capaz de dizer...estavas bem era no circo!
A política está de facto transformada num autêntico circo. Todos dizem o que querem, acusam-se uns aos outros, pedem desculpa mas no fundo não fazem nada! Tenho sérias dúvidas de que a minha geração, pelo menos na sua maioria, se venha a interessar a sério pela política. Desde que me conheço como pessoa que presta alguma atenção a poliquices (que infelizmente é do que se fala hoje em dia), que vejo sempre as mesmas caras com os mesmos discursos cravados de promessas e utopias. O Bloco de Esquerda ainda veio dar uma lufada de ar fresco à cena política mas não deixa de enveredar, em muito do que defende, pela via da utopia, mais do que pela realidade.
Eu não vou dizer muito mais porque simplesmente não gosto de discutir ou sequer de falar de política. Nunca estive muito para aí virada. Mas ficarei profundamente desiludida com Portugal se Pedro Santana Lopes vencer as próximas eleições. O que a bem dizer, a uma escala mais reduzida, significava contradição igual à que aconteceu nos EUA com a vitória de Bush. Todo o mundo estava contra, mas ele conseguiu manter-se no pódio.
Aliás, no que toca aos EUA é incrivel como se consegue fazer o povo acreditar nas coisas. De modo discreto as pessoas foram acreditando, por exemplo que era necessário invadir o Iraque porque haviam armas de destruição massiça. E mesmo depois do falhanço da descoberta, houve quem pensasse que os EUA tinham encontrado as tais armas, e muitos outros acreditaram que o Iraque tinha usado as armas durante o conflito.
A desculpa que nunca foi facto, todavia serviu para ludibriar as pessoas e fazê-las crer que foi uma guerra necessária para assegurar a segurança e a superioridade da nação. Uma guerra para prevenir males maiores. Uma guerra preventiva que ainda não acabou, que se pensa ter servido para resolver o que quer que seja, mas que todos os dias continua a matar civis e militares e a destruir um país devastado.
É esse o discurso que os vários governos dos EUA levam a cabo para conseguirem seduzir o povo, que logicamente não resultam tão bem no exterior, que não se incluiu no conceito de nação que tanto se preza por aqueles lados. Criar a ideia de que o poder e a segurança possam estar ameaçados. E isto soa-me demais a ditaduras disfarçadas para que consiga acreditar.
Um dos lemas da National Security Strategy diz assim (e não é preciso acrescentar mais nada): Our forces will be strong enough to dissuade potential adversaries from pursuing a military build-up in hopes of surpassing, or equaling, the power of the United States. Quem quer que possa constituir ameaça a estes principios poderá ser o próximo alvo.
Por estes dias fala-se da invasão do Irão, o que a ser verdade é considerado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano “um erro estratégico monumental”. Também não se pode dizer que esta intenção contida do governo de Washington, revelada por Bush numa entrevista à NBC, seja novidade. De vez em quando os EUA fazem questão de lançar estas guerras psicológicas. Mas é de facto grave tendo em conta que, apesar das autoridades iranianas negarem, há suspeitas de que as suas instalações nucleares possam estar a ser utilizadas para produzir armas nucleares. Tudo aponta nesse sentido, e mesmo assim Bush afirma sem pejo que não está fora dos seus planos uma invasão militar ao Irão. Londres já se mostrou contra, o que não tem qualquer relevância. Os EUA se quiserem passam por cima de todos os que se levantarem contra as suas políticas de superioridade. Não foi isso que aconteceu no Iraque? E o resultado está a vista.
O problema com o Iraque, mais do que os estragos no país e a devastação das vidas que ainda lá habitam ,é que o precedente que criou. Enveredou-se por um caminho que pode servir de exemplo a outras futuras intervenções militares sem motivo concreto, definido e válido para todo o mundo. Esperemo que não seja o Irão...

Patrícia

quinta-feira, janeiro 13

"Party prince" apronta de novo

Cada vez que faço o roteiro por alguns sites indispensável na Internet, há sempre qualquer coisa que me chama a atenção. Esta chamou-se a atenção pela estupidez da atitude.
O príncipe Harry deu provas de ser de facto a ovelha negra da família real ao exibir um cruz suástica no braço e vestindo-se de nazi numa festa de aniversário de um amigo. A coisa poderia ter passado despercebida caso um fotografo do The Sun não tivesse tirado uma fotografia, que fez primeira página e exclusivo do jornal, e que fez estalar mais uma polémica lá para os lados da Inglaterra.
Imediatamente se levantaram vozes contra a falta de respeito do petit prince que com 20 anos já devia ter a noção do que aquele símbolo representou. Rostos sem nome e em números quase indizíveis sucumbiram aos que acreditavam em todos os valores que aquela cruz representava.
Sua majestade o príncipe já veio desculpar-se publicamente, mas depois do mal estar feito pouco há a fazer. Algumas vozes defendem que o príncipe deve fazer parte de uma delegação britânica que vai visitar o campo de concentração em Auschwitz por altura do sexagésimo aniversário da sua libertação, no final deste mês, para que possa ver as consequências causadas pela adoração e fanatismo de um símbolo que ele próprio usou.
O primeiro ministro não comentou, reencaminhando as reacções para o Palácio que se mantém em silêncio...

Patrícia