segunda-feira, julho 9

QUASE EM CASA...*

Fui à Worten fazer as grandes compras para a minha cozinha, um belo de um frigorífico e uma máquina de lavar roupa. Depois de ter examinado ao pormenor todos os modelos e marcas disponíveis cheguei à conclusão que quanto mais se escolhe pior se acerta. Conclusão: inspirada pela febre do "Salvem o planeta" do Live Earth optei por comprar os aparelhos com melhor desempenho energético, espero que isso se note na factura da edp ao fim do mês, a ver vamos...
Também fui ao IKEA, claro, acho aliás que vou passar por lá muitas vezes nos próximos tempos. O meu grande objctivo era comprar um roupeiro, porque neste momento a única coisa que me falta passar para a casa nova é a minha roupinha. Mas ainda não foi desta... a porcaria o roupeiro que eu queria estava esgotado, é preciso ter azar realmente. Assim, continuo cá em casa, na antiga diga-se, naquela do papel de parede, na casa partilhada, é um bom nome. Neste momento já não tenho secretária no quarto, estou com o portátil sentada na caminha que em breve vai duplicar de tamanho...
Esta é provavelmente uma das melhores alturas da minha vida. Apesar do trabalho que se acumula, da falta de tempo para aproveitar o momento, da conta bancária a ficar reduzidinha, sinto que estou a um pequeno passo de poder dizer que estou de bem com a vida...

*devido a problemas técnicos que já me fizeram chegar ao limite da paciência não consegui colocar o título como deve ser, a todos os leitores, uns 3 praí, as minhas desculpas.:)

terça-feira, julho 3

Em mudança

Já tenho as chaves, o contrato assinado e dois meses de renda pagos. É oficial: estou na penúria, mas já tenho uma casa, ainda que por enquanto tenha apenas paredes e tecto e portas e janelas...e eis que surge o primeiro obstáculo...

Depois de ter passado 3 dias a analisar o mercado dos frigorificos e das máquinas de lavar roupa e de ter conseguido decidir por dois modelos que se adequam aos meus citérios, ou seja ao meu budget (por estes dias o meu dinheirinho anda a debandar da minha conta que é uma coisa doida) eis quando me deparo com um problema.
Tenho 55 cm de espaço na cozinha para colocar a máquina de lavar roupa e todas as máquinas de lavar roupa têm 60 cm de largura, não há dúvidas, fui a Worten, ao Media Markt, à Rádio Popular, ao San Luis, e não ha maneira de encontrar máquinas mais estreitinhas.
Pergunta: que raio de mente brilhante terá sido a que colocou a mobilia numa cozinha sem se preocupar em ver quais as medidas de uma máquina de lavar?

Esperam-se mais desenvolvimentos sobre a saga da minha casinha nos próximos posts.

quarta-feira, junho 27

Programa de fim-de-semana: Casamento



É verdade. Já o disse milhões de vezes: sinto que a vida me separa das pessoas que mais gosto, que mais significam para mim, que mais memórias me trazem.
As minhas primas gémeas, que me acompanharam a vida toda, são duas dessas pessoas. Crescemos juntas, partilhámos sonhos juntas e de repente os caminhos separaram-se e acabamos uma em cada canto do país. Uma delas vai casar-se este fim-de-semana. E é como se eu sentisse de repente uma falta imensa dela. Não sei explicar, há anos que não nos vemos com a frequência que desejaríamos, nas festas de família, nas férias apenas. E agora o casamento. Sinto-o como se ela ficasse ainda mais distante. Não fica, mas não sei explicar, deve ser o peso da cerimónia. Aquele momento de que tanto falávamos quando pequenas vai acontecer, e ela é a primeira das três.
Soltei umas lágrimas despedida de solteira. Quero imaginar o casamento....

terça-feira, junho 26

A minha casa




Parece que é agora. A mocinha crescida conseguiu finalmente encontrar uma casinha para patilhar com o silêncio e a calma. Uns telefonemas, umas negociatas et voilá. O contrato de arrendamento já está em curso. Ando à procura de caixas nas lojas dos chineses para conseguir fazer a mudança em poucas viagens no meu C'MON. Não tenho prateleiras para os livros, nem talheres nem pratos, não tenho frigorifico nem máquina de lavar roupa e não tenho dinheiro para comprar o que quer que seja.
Acho que ainda não estou em mim. Depois de 7 anos a partilhar casa, muitas vezes com desconhecidos, este é aquele passo que sentimos como o passo para a independência. Neste momento acho que não me falta nada para dizer que sou feliz.
Pronto... mais um dinheirinho para ir ao IKEA dava jeito, mas a pouco e pouco tudo se arranja...

quinta-feira, junho 14

férias

Regressei de umas mini-férias no meio do nada, longe de tudo o que poderia lembrar-me a mínima preocupação. É nestas alturas que damos valor às coisas mais simples, vestimos um bikini e uns calções, calçamos uns chinelos e aí vamos nós com a toalhinha numa mão e um livro na outra apanhar sol na praia mais próxima. Não fui para a praia mais próxima, mas o ritual foi o mesmo. E soube a pouco, parecem sempre poucos demais os dias que passamos assim, mesmo que a tarde tenha sempre mais horas, porque parece que nunca temos nada para fazer. Não temos, de facto, mas não faz mal. Ali, a olhar para as ondas que insistem em regressar à areia parece que não há mais nada, mais mundo, mais pessoas do que aquelas que estão ali connsoco a brincar com os filhos, a encherem-se de protector solar, arrepiadas a tentar entrar na água.
E tu ao meu lado insistes em mais uma caminhada, rebolas na toalha, fechas os olhos um bocadinho, olhas para mim: "onde vamos jantar hoje"? E eu respondo que não sei, mas quero ir a outro restaurante diferente. "Estás tão bonita". Não estou nada... anda, vamos dar um mergulho e fingir que podemos fcar aqui para sempre....

terça-feira, maio 29

Dave Mathews e etc

O concerto de sexta feira foi excelente! Tenho que confessar que fiquei um bocadinho desiludida no principio porque facilmente percebemos que a meia dúzia de gajos em cima do palco está ali para aproveitar e a borrifar-se para um Pavilhão Atlântico certamente esgotado. Contudo, quando pensávamos que aquilo deveria estar mesmo a terminar começa o concerto a sério com os grandes êxitos que todos conhecem de cor e salteado. O melhor foi sem dúvida a abertura com Everyday, a interpretação de Too Much e o solo do Dave em Gravedigger. Três horas de concerto que me fizeram sentir velhota pela tremenda dor de pernas com que saí de lá. Como é que eu aguentava, há 3 anos atrás, uma semana de noitadas na Queima? Meus amigos...os anos afinal pesam...

E agora uma coisa que não tem nada a ver. Já alguém viu o novo anúncio do Seat Leon? Eu nunca me identifiquei tanto com um anúncio como com este.No fim deixam-nos com uma frase deliciosa que me serve que nem uma luva:

As melhores coisas da vida não são as que nos pertencem, mas as que são donas de nós...

quarta-feira, maio 2

It all comes down to nothing

Sabem quando pensam que dão tudo a uma pessoa, que dão o vosso melhor para que as coisas corram bem, para que a pessoa sinta que gostamos dela, que fazemos as coisas por ela e, ainda assim, essa pessoa, que vocês pensavam que vos conhecia melhor do que ninguém, vos atira à cara que os dias que passam juntos se estão a tornar rotina e são uma merda? Assim...
Desiludida.
Penso nos quatro anos que estão para trás, no que se pensa que está pela frente e que às vezes pensamos se irá acontecer, se será mesmo aquilo que queremos, se temos a certeza, se valerá a pena.
Indiferente.
Insistes na mesma coisa uma e outra e mais uma vez como se alguma coisa mudasse por insistires tanto. Eu já não sei se me importo, se quero saber. A sério, às vezes não sei...já não sei. Uma e outra vez insisites que eu sou isto, que eu nunca faço o que queres, como se de há quatro anos para cá fosse eu sozinha a ditar as regras deste jogo.
Ferida.
Tenho gravadas em mim desilusões que nunca superei. Histórias que me feriram fundo e que eu pensava poder passar por cima, mas não deu. Não dá. Há coisas que não se esquecem. Esta é mais uma delas. Mais uma que me atiras à cara. Consegues relativizar tudo, diminuir tudo a alguma coisa que achas que eu tenho de mal, um defeito.
Chegas aqui com essas histórias que não me dizem nada, toda a gente faz e nós também devíamos fazer, toda a gente vai e nós também devíamos ir. Há coisas que toda a gente faz e tu não fazes, coisas com que toda a gente se importa e tu nem aí, coisas que me preocupam e que tu dizes que estás a tratar disso para daqui a uns anos... E essas coisas? E as coisas que eu acho importantes? Não te interessa falar disso, dessas coisas. Adias tudo para daqui a uns anos. Já não sei se temos esse tempo todo...

quinta-feira, abril 26

Damaged



É assim que me apetece estar. Sentada numa cadeira a olhar para o vazio. À procura de alguma coisa que me chame a atenção, que me desperte para outra realidade. Hoje cheguei ao escritório e percebi que dentro de uma semana seria uma das 5 pessoas mais antigas daquela casa. É tudo tão estranho... Continuo ainda com mais força para continuar e fazer o meu trabalho melhor do que nunca, agora que ele é mais preciso do que nunca.
Não posso deixar, contudo, de comparar situações, embora não tenham muito em comum. Quando o jornal A Capital estava prestes a fechar o único a abandonar o barco foi o Director. A redacção, os jornalistas, nós permanecemos ali até ao último dia. Bem depois do último dia, aliás. Depois da última edição ainda marcávamos cafés, ainda dávamos um pulo à minuscula sala de café e sentíamos aquele vazio e aquele silêncio entranharem-se na pele, e doía. Custou-nos muito a aceitar que aquilo era o fim, a abandonar o barco quando ele já não existia e estávamos todos a pôr os coletes salva-vidas o mais depressa possível para não ir ao fundo.
Aqui a crise não é a falta de dinheiro, a falta de clientes, mas a saída de grande parte dos colaboradores com mais experiência. Assim uns a seguir aos outros como se fosse agora ou nunca, "se tu vais eu também não fico" e assim sucessivamente. É claro que não é perfeito, nada é perfeito, mas será que numa altura destas não se deve dar uma segunda oportunidade? Eu estava no desemprego quando me deram a mão e me ensinaram tudo o que eu sei hoje. São coincidências apenas, certamente, mas que não se repetem muitas vezes.
Seguir em frente é o que devemos fazer. De uma maneira ou de outra, é bom saber que temos um sítio onde precisam de nós amanhã...

quarta-feira, abril 25

Inesita

Dois dias depois nova saída. Desta vez a minha querida Inesita. Que não merercia a maneira como as coisas aconteceram. Ela que é certamente a pessoa mais correcta e honesta que eu alguma vez conheci e que era incapaz de fazer o que quer que fosse para prejudicar alguém.
Ontem foi um daqueles dias que passaram por mim sem que eu conseguisse encontrar um lugar para o viver. Inquieta, revoltada, triste, assisti à partida de uma amiga que entrou comigo neste barco há mais de um ano atrás sem saber o que esperar desta nova aventura. Vínhamos as duas com o jornalismo entalado na garganta. Desiludidas por estarmos a mudar de rumo sem saber se era mesmo aquilo que queríamos. A medo, mas com muita coragem, seguímos em frente. Ficámos conhecidas como siamesas. Mas nunca ví isso como uma coisa má. Eu sabia que podia contar contigo e tu sabias que podias contar comigo e era só isso. Mas era isso, é ainda isso, que muitos não entendem, uma amizade sem interesses. Os nossos almoços a correr, as nossas cafezadas na Alameda, a festa que fazíamos quando conseguíamos uma Tv num evento qualquer. Tu rias sempre quando eu desligava o telefone e abanava os braços, queria apenas dizer que tinha mais uma confirmação para o evento. São apenas algumas das coisas que vou lembrar com carinho.
Sei que vais ficar bem. Que este é um ano de mudanças na tua vida, esta é apenas mais uma a que te vais adaptar facilmente, tenho a certeza, just have a little patience :).
E eu vou estar deste lado como sempre para continuarmos a partilhar os nossos pequenos mundos. E isso nunca vai mudar...

Marcamos então aquela almoçarada?
Um beijinho grande e até já...

sábado, abril 21

A Alegria do Tejo

Ela era uma daquelas pessoas que se conhecem pelas circunstâncias da profissão. Sim, o nome Alegria não me era estranho. Já tinha ouvido a voz e o riso dela do outro lado do telefone a perguntar-me se eu ia estar presente num evento qualquer...
Entrou no open space e encontrou os mesmos amigos de sempre, que tinha deixado há uns anos e também outras caras que cedo conquistou.
Não houve um unico dia em que a agência não tivesse parado para rir contigo. A tua simplicidade e sinceridade conquistou-me no dia em que partilhámos um pouco mais das nossas vidas, do que sentimos cá dentro. Do que nem está definido para nós, mas que precisamos de partilhar com alguém. E assim nasce uma amizade.
Hoje é o dia em que perdemos a tua companhia diariamente. Tentámos prolongá-lo ao máximo mas não deu para esticar mais as horas. Não, não é uma despedida e não, não chores que já chega... É um até já, uma até ao passeio prometido na tua canoa.
Para nós a Alegria serás sempre tu...

Sê feliz!

segunda-feira, abril 2

Hoje 2

O que é que fazemos quando julgamos viver histórias que não são nossas? Quando lutamos durante anos para depois nos apercebemos que não é nada disto que queremos? Pensámos que seria diferente e afinal é assim e é tudo o que tens. O que fazes? Segues em frente? Recuas. Continuas a fingir que está tudo bem, que a vida é perfeita até...

quarta-feira, março 14

Hoje

Hoje estou assim de bem com a vida.
O dia correu-me bem. A única coisa que tenho feito nos ultimos dias é ir a reuniões e marcar outras reuniões. Os projectos começam a aparecer uns a seguir aos outros, como que a conspirarem para me cairem em cima dos ombros todos na mesma altura. Mas venham eles que cá estou eu.

Neste final de dia nada melhor do que um pijama quentinho, uma fatia de bolo de chocolate, uma chávena de café a fumegar e uma bela banda sonora: o novo dos Arcade Fire "Neon Bible", simplesmente fantástico.
E o House começa já daqui a pouco mais de uma hora...

quarta-feira, março 7

Os americanos não são estúpidos...ou são?

É mais uma pérola que se encontra no Youtube. Perguntem a uma americano onde é foi construído o muro de Berlim? E ele demora dez minutos a dar a resposta "No Irão"!

quinta-feira, março 1

Assessores

A Grande Entrevista da Judite de Sousa está cada vez mais interessante.
O Presidente da Camara de Lisboa, Carmona Rodrigues acabou de confessar que só ele tem 20 assessores e que permitiu aos vereadores da oposição terem também eles assessores pois diz que para fazer oposição é preciso ter condições para fazer um trabalho construtivo.

Todos sabemos que há pessoas que não fazem nadinha na vida, mas para que raio quer o homem 20 assessores? Só se for para esconder os escândalos que ainda estão para vir...

segunda-feira, fevereiro 26

O amor: mito ou realidade?

E primeiro lugar vamos esquecer aquelas babuseiras todas de poeta de que o amor é fogo que arde sem se ver e ferida que dói e não se sente. Falando a serio o que é o amor?
Quando dizermos "Amo-te" o que é que isso quer dizer exactamente? Que achamos que aquela é a pessoa que queremos ao nosso lado no bem e no mal, na saúde e na tristeza? Que acreditamos que com aquela pessoa a vida será melhor, conseguiremos ultrapassar todos os obstáculos e mantermo-nos juntos para o sempre da nossa existência?
Digam-me, alguém acredita mesmo nisso? Alguém acredita profundamente em todos os votos e juras de amor que faz?
Eu tenho que ser muito sincera, eu tenho dúvidas. Acho que uma decisão como o casamento se deve basear em evidências e não em certezas. Conhecemos uma pessoa, passamos bons e maus momentos com ela, conhecemos a família e toda a mobília que faz parte da sua vida e, se tudo correr bem durante algum tempo, se tudo correr bem até sentirmos que estamos a ficar velhos e que nos aproximamos vertiginosamente dos trinta a passos largos e corremos serios riscos de nunca mais encontrar ninguém, está na hora e tomamos uma decisão. Das duas uma:
- hipótese A: continuamos com a nossa vidinha de solteirões, independência é a palavra de ordem, queremos uma relação amorosa mas nada de grandes compromissos e arriscamos num "vamos namorando até...";
- hipótese B: começamos a preparar o casamento sem nos darmos conta. Começamos a pensar comprar casa em cnjunto. Compramos a casa. Começamos a ver quintas para o casamento, vestidos de noiva, o fotógrafo, os convites. Sem nos apercebermos já estamos a entrar por uma qualquer igreja, todas as pessoas a sorrirem e nós a não querermos pensar no resto. Aquele tem que ser o dia mais feliz das nossas vidas. Antes de anoitecer já estamos casados, de aliança no dedo, já comemos o bolo, tiramos 3000 fotografias, ouvimos parabéns durante o dia todo, doem-nos os maxilares de tanto sorrir para o fotógrafo.

Como e quando é que se tem a certeza de que queremos casar com aquela pessoa? Alguém tem a certeza quando diz o sim? Eu tenho cá para mim que prefiro basear-me em evidências.

E no meio de tudo isto o que é o amor? A que é que se resume o amor? Será o amor mesmo para toda a vida ou isso é uma daquelas falsas verdades na qual precisamos de acreditar para que conceitos como o casamento, família, façam sentido?

segunda-feira, fevereiro 19

Mais do mesmo

Eu sabia que isto ia voltar tudo ao mesmo... Volta sempre.
E eu não me sinto bem com isso. E mais cedo ou mais tarde isto não vai correr bem, eu sei que não...

E um grande momento por que todos esperavam... os Papas na Língua! Até que a música não é má...

quarta-feira, fevereiro 7

Lluvia

Tinha tantas saudades da chuva.....

segunda-feira, janeiro 29

problemas em grupo

Quando pensamos que só nós estamos com problemas e começamos a falar um bocadinho mais com outros apercebemo-nos de que não somos os únicos. Afinal, há problemas para todos os gostos no que diz respeito a relações amorosas. Um queixam-se que não conseguem encontrar ninguém que valha a pena. Anos e anos de relações breves que não levam a lado nenhum. Outros juntam os trapinhos para ver se resulta. Ao menos sempre se poupa uma renda.
Outros estão casados e continuam a pensar que não estão. Levam a vida como se fossem só um em vez de dois. Também há os que estão a pensar em casar, e que ainda não têm problemas.
E depois há os outros que não sabem o que querem. Que namoram há anos. Que gostam um do outro e que chegam a um ponto em que isso não é suficiente. É nesse grupo que eu me incluo. Sabem quando sentem que é aquilo que vocês querem mas no fundo no fundo têm medo por não saberem onde é que aquilo vos pode levar? Será que se dá o passo seguinte? Será que se recua para ganhar tempo?
Eu acho que há sempre uma altura destas na vida de toda a gente. Mais cedo ou mais tarde as perguntas começam a cair do céu. As dúvidas começam a aparecer a cada movimento partilhado e, de um momento para o outro, não sabemos onde estamos, para onde queremos ir, se tudo vale a pena. Depois dessa fase, das duas uma, ou se segue em frente ou se muda de grupo....

terça-feira, janeiro 23

Um dia qualquer de Janeiro

Mais uma noite pela frente. Tenho pelo menos mais três horas do dia 23 de Janeiro de 2007 para aproveitar e não sei que raio fazer com elas. Nos últimos dias a minha vida tem sido uma porcaria. Sinto-me assim desorientada, completamente. Vim de férias a pensar que ia continuar com o trabalho árduo, quase sem tempo para respirar. Enganei-me. O ano está a começar ainda a meio gás. Durante todo o dia de hoje dei resposta a um outro e-mail, fiz um ou outro telefonema, fiz um press release. And it was it... Saí a horas. Vim para casa, fiz o jantar, tomei banho, vesti o pijama e cá estou eu a passar tempo.
Estou sozinha mais uma vez. Prolonguei o jantar só para falar um bocadinho com a minha colega de casa que hoje recebeu a visita do namorado para jantar. Há lá coisa mais deprimentes do que jantar a três quando duas das pessoas na mesa são namorados que não se veêm há três meses? Eu devo merecer. Eu mereço. Sempre disse que não me importava de estar sozinha, que adorava o silêncio, que sempre tive alma de solitária. A caminho dos 26 a coisa muda um bocadinho de figura....
Cada vez que olho para a televisão fico ainda mais deprimida. Não só pela falta de qualidade dos programas dos 56 canais que tenho disponíveis como também pelo facto do meu aparelho me ter brindado com mais uma das suas. Primeiro cegou-me, privando-me da imagem. E agora, não dá som. Tenho o volume no máximo e só consigo perceber uma palavra em cada 100. Para agravar a situação está um frio do caraças e o meu termoventilador resolveu desligar-se de 10 em 10 minutos, o que deveria acontecer se a temperatura estivesse muito elevada, o que, garanto, não é o caso.
Vou ficar por aqui antes que me lembre de mais coisas deprimentes para dizer. Tipo, comprei hoje umas calças e só quando cheguei a casa reparei que têm um buraco de pelo menos 2 cm num dos bolsos. Como é que eu não reparei na altura! Descobri mais um risco no meu carro. Mais um a juntar aos outros 300. O carro tem 3 meses! Não fui ao ginásio porque o Sr. do Círculo de Leitores disse que viria cá hoje e afinal não pôs cá os pés. Estou capaz de lhe roubar a bolsinha onde ele enfia os meus euros e os euros dos outros, a quem rouba descaradamente as economias, da próxima vez que me tocar à campainha. O meu namorado faz anos amanhã e ainda não lhe comprei nada. Pior, nem sei se vai estar acordado amanhã para podermos, pelo menos, jantar fora. Há dois meses que dorme durante o dia e trabalha à noite. Parece um zombie. Consigo manter uma conversa com ele durante 1 hora antes que caia de sono.
Ora, já só faltam mais duas horas e meia até começar a contagem decrescente para mais um dia qualquer de Janeiro...oh joy!

segunda-feira, janeiro 22

Será que nada, nunca é perfeito?

Todos temos os nossos problemas. O ser humano é um bicho insatisfeito por natureza. E, por muito que diga que não, está sempre a olhar para o vizinho para ver se a vida que leva é melhor do que a dele.
Impossível ser diferente.
Desde pequenos que nos vemos confrontados com a partilha, de atenção dos pais, dos brinquedos com os irmãos e com os primos. Depois vem a competição. Na escola queremos sempre ser melhores, ter mais atenção dos professores, dar mais nas vistas, sermos mais giras do que a outra barbie que tem os rapazes da turma todos atrás dela. Entrar no grupo.
Mais tarde vemo-nos obrigados a competir, outra vez, por uma vaga numa universidade. Por uma porcaria de décimas ficam de fora uns, para outros tomarem os seus lugares num curso que lhes vai traçar uma profissão. Se bem que hoje em dia já nem isso temos como certo. A profissão surge-nos um pouco por acaso, é o que houver para fazer e onde se ganhar mais dinheiro.
À procura de emprego competimos com milhares na mesma situação. No emprego queremos sempre dar o nosso melhor para sermos reconhecidos, para ganharmos mais, para sermos promovidos, para ganharmos ainda mais. Para nos sentirmos realizados.
E nunca estamos bem, queremos sempre mais, queremos chegar onde o outro está. Queremos ouvir que somos bons no que fazemos. Queremos pensar que temos uma boa vida. Queremos que os outros pensem que temos uma boa vida. Pensar apenas. Porque no fundo, nunca nada vai ser perfeito. Há sempre mais um degrau para subir...
No amor é a mesma coisa. Fazemos de tudo para conquistar aquela pessoa que achamos que é a outra metade da laranja, perdemos meses, anos a tentar mudá-la, trazê-la para nós. Competimos por ela. Não dormimos por ela. Inventamos mil estratégias para nos cruzarmos com ela, para estarmos perto, para impôr, discretamente, a nossa presença. E pensamos que conseguimos, tudo está bem até que... aparece outra pessoa, vinda não sabemos de onde, não percebemos porquê, como aquilo aconteceu. E muda tudo. Transformamo-nos. Tudo em vão. Estamos de rastos, mas seguimos em frente, partimos para outra.
No fundo, não mudou nada, mas nós queremos acreditar que sim. Precisamos acreditar que é melhor assim, que não era aquilo, não, aquilo não era nada comparado com isto, agora...
Quando realmente conseguimos conquistar alguém, e nos deixamos conquistar, a vida troca-nos as voltas. Deixa-nos assim sem objectivo. Perdidos em dias comuns sem saber muito bem o que fazer com eles. Com um troféu que polimos de vez em quando e depois deixamos na prateleira para nos lembrar que está lá para quando precisamos dele. Não lhe damos o valor devido, porque ele está sempre ali. E só quando alguém o muda de sítio é que sentimos a sua falta. E saudades dos dias comuns que nunca mais o foram e do tempo em que fazer nada era uma rotina agradável...
Será que nada, nunca é perfeito?