
O eco na minha cabeça e os outros a andarem de um lado para o outro como se todos soubessem para onde caminham.
E o eco na minha cabeça não me diz nada.
E penso em todas as camas em que dormimos e em todos os sítos por onde passamos e no nada que somos, e no tudo que queríamos ser.
E todos continuam a andar de um lado para o outro, em passadeiras que os deixam do outro lado da estrada. Em pontes que os levam para margens de outros rios.
E o eco na minha cabeça... Ouço as coisas que digo dia após dia, as mesmas. Penso nas coisas que faço dia após dia, rotina.
E o eco repete-se e continua a remoer-me os pensamentos e as entranhas. As mesmas rotinas e as mesmas pessoas e os mesmos lugares cravados de significado para outros, mas não para mim.
E as mãos que tocam nas campainhas para mandar parar o autocarro. As mãos de todos tocam ali e eu penso antes de juntar as minhas mãos àquele ritual de passagens, de impressões.
E o eco continua. O eco como uma mão que me agarra ao que sou e me afasta do que seria se a voz que me fala se calasse para dar lugar ao silêncio...